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LEITURAS PARA UM COMEÇO DE ANO
Diante de um 2017 medíocre, todos ansiando por um 2018 menos desafortunado, às vésperas de uma eleição resultado da vontade de um povo que necessita de cidadania coletiva, ousaria propor, para uma leitura reconstituinte, alguns livros que, bem assimilados por antenados, em muito favorecerão um caminhar de ano novo mais analítico, menos alienado, mais condizente com os desafios mundiais a serem enfrentados. Escolhi cinco títulos, buscando favorecer gregos e troianos, embora balizando a escolha por conteúdos humanistas alavancadores, que muito poderão beneficiar o viver daqueles que se encontram existencialmente de cristas baixas, seja pela solidão causada por idades recheadas de desilusões causadas e/ou provocadas, seja pelos estresses advindos de ano tormentoso, predadores de uma esperança erigida sob perspectivas edificadas sob promessas inconsistentes. A ordem de apresentação não representa qualquer prioridade, apenas uma maneira de favorecer a manifestação de um ex-professor sempre apaixonado por um ler-para-saber-mais-próximo-do-agir-como-dever-ético sempre abençoado pela Criação.

1. HISTÓRIA DA RIQUEZA DO BRASIL, Jorge Caldeira, Rio de Janeiro, Estação Brasil, 2017, 624 p. Decididamente um clássico, a significar “que serve de modelo”, uma interpretação pioneira de um Brasil analisado por lentes situadas além das explicações gerais, produzindo um entendimento novo para enxergar mais adequadamente os problemas atuais, tornando emersos elementos originais situados muito além das estatísticas corriqueiras. Uma leitura que ilumina zonas sombrias, favorecendo o conhecimentos de fatos antes apenas sabidos por escritos oficiais ou mitificados. O livro se encontra dividido em quatro grande blocos: 1500-1808 – Alianças, colônia e o mundo do antigo regime; 1808-1889 – Coroas e estagnação durante o desenvolvimento do ocidente; 1889-1930 – Primeira república: explosão de crescimento; 1930-2017 – A era do muro: uma centralização, dois resultados. Um livro que faz pensar sem fricotes, salamaleques e ideologias de botequim semeadas com muita cachaça.

2. A MAIS BELA HISTÓRIA DA FILOSOFIA, Luc Ferry, Claude Capelier, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2017, 322 p. Na Introdução do livro, a razão da sua feitura: “Em um mundo em crise, no qual a lógica da concorrência que caracteriza a globalização parece alargar-se cegamente, sem que ninguém – sejam os chefe de Estado mais poderosos ou os dirigentes das multinacionais – consiga mudar seu curso, a filosofia certamente gera crescente interesse e, talvez, a esperança de reencontrar marcos de referência e sentido para nossa existência.” O livro, não calhamaço, é a história do pensamento filosófico, da Antiguidade aos dias de hoje, narrada de uma maneira clara e tremendamente acessível, apresentando a Filosofia como uma busca fundamental pela essência do Homem. Iniciando com As Grandes Respostas Filosóficas, termina com o advento atual do segundo humanismo, A Revolução do Amor, com o reencantamento do mundo, apesar de todas as barbaridades atuais, onde o rosto humano se tornará cada vez mais próximo da Luz. Um texto para múltiplos rabiscamentos.

3. O MÉDICO QUÂNTICO: ORIENTAÇÕES DE UM FÍSICO PARA A SAÚDE E A CURA, Amit Goswami, São Paulo, Cultrix, 2006, 288 p. Um físico quântico mostra como a medicina é campo propício para a aplicação da nova ciência, baseada na primazia da consciência, integrando extraordinariamente a ciência convencional, a espiritualidade e a cura. Um livro que integra, reinterpretando com criatividade, os principais métodos da medicina alternativa – a homeopatia, a medicina chinesa, a acupuntura e o Ayurveda -, modelos que podem ser inseridos num sistema multidimensional pautado na nova “ciência dentro da consciência”.

4. A ERA DO CAPITAL IMPRODUTIVO, Ladislau Dowbor, SP, Autêntica, 2017, 320 p. Um levantamento técnico que está a merecer intensas reflexões por parte daqueles que se proclamam cidadanizados. Alguns dados mundiais nos envergonham profundamente: a. A desigualdade da distribuição de renda alcança níveis obscenos. Metade da base inferior de distribuição de renda nos EEUU foi completamente excluída do crescimento econômico desde os anos1970. De 1980 a 2014 a renda média nacional por adulto cresceu 61% nos EEUU, estagnando-se em 16 mil dólares por adulto, ajustados à inflação. Em contraste, a renda explodiu no topo da distribuição de renda, subindo 121% para os 10% no topo, 205% para o 1% no topo, e 636% para o 0,001% no topo; b. Os rendimentos obtidos no topo se devem a aplicações financeiras, capital improdutivo; c. A concentração de renda mundial é escandalosa. E os ricos têm uma tendência a achar que são ricos por suas excepcionais qualidades, não faltando pronunciamentos acadêmicos para louvar esta sabedoria. d. No mundo atual, em 2016, 1,2 bilhão de pessoas não tinham acesso à eletricidade; e. Um exemplo que não deve se prolongar por muito tempo: um bilionário que aplica um bilhão de dólares para render módicos 5% ao ano está aumentando sua riqueza em 137 mil dólares POR DIA!! Sem tirar as mãos do bolso!!! f. O Brasil se situa entre os dez países mais desiguais do planeta; g. A desigualdade de renda é medida pelo coeficiente de Gini. Quanto mais elevado, maior a desigualdade. Alguns coeficientes: Suécia 0,25, EEUU 0,45, Brasil 0,50 e 0,60 na África do Sul; h. Os 1% mais ricos do mundo têm mais riqueza que os 99% restante do planeta, muitas fortunas não aparecendo por estarem situadas em paraísos fiscais; i. O presidente Obama disse na ONU, quando se despediu do cargo presidencial: “Um mundo no qual 1% da humanidade controla uma riqueza equivalente à dos demais 99% nunca será estável.”; j. A renda dos 10% mais pobres aumentou cerca de US$ 65 entre 1988 e 2011, enquanto a do 1% mais rico aumentou cerca de US$ 11.800, 182 vezes mais!!

5. CRISTIANISMO, A MENSAGEM ESQUECIDA, Hermínio C. Miranda, Matão/São Paulo, Editora O Clarim, 2016 (4ª. edição), 414 p. Toda a história do Homão da Galileia, ressaltando aspectos históricos, reconstruindo o autor, um dos principais pesquisadores kardecistas do Brasil, sua descendência judaica. Constata o prefaciador: “O Cristianismo vigente não tem respostas adequadas para as mazelas atuais da civilização”. E mais: “É passado o momento de identificar culpados, acusá-los e condená-los. O que precisa ser identificado, com urgência, é a verdadeira face do cristianismo e recuperado o conteúdo da mensagem esquecida do Cristo, sem as complexidades teológicas, sem a rigidez cadavérica do dogma, sem o ritualismo vazio.” Em outras palavras: imperioso redefinir os parâmetros basilares do Cristianismo, desfigurado por séculos de desastradas manipulações e desastrosos abusos. Uma leitura indispensáveis para aqueles que desejam aprofundar-se sobre a essência da mensagem deixada pelo maior revolucionário da história da humanidade. Um texto crítico, sem desesperos nem agressões, explicado de maneira clara e objetiva. Sedutor por derradeiro.

(Publicado em 08.01.2018 no site do Jornal da Besta Fubana (www.luizberto.com) e em nosso site www.fernandogoncalves.pro.br.)
Fernando Antônio Gonçalves
 
 

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