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LEITURAS PARA CARNAVAL
Para todos nós, um 2012 cada vez mais desabilolante, binoculizador e  amplamente cidadão, crítico e construtivo por excelência. Para que o bom combate seja travado em prol de uma vida brasileira menos engolfada por lentidões judiciárias, greves irresponsáveis, maracutaias parlamentares, desmatamentos criminosos, corrupções escandalosas, superfaturamentos, homofobias e quejandos. Um ano repleto de bons debates, análises econômicas, sociais e  políticas objetivas e esclarecedoras, com leituras primorosas para quem não curte muito a folia no período momesco.

Sem qualquer emocionalidade barata, posto que de há muito vacinado, recomendaria o livro A Vida Quer é Coragem, do Ricardo Batista Amaral, que narra a trajetória existencial e política de Dilma Vana Rousseff, a primeira presidenta do Brasil, nascida num dezembro 14 de 1947, Belo Horizonte, Minas Gerais, na maternidade do Hospital São Lucas. E que ressalta o exemplo dado pelo pai, Pedro Rousseff, ao incentivar a filha de então 12 anos na leitura de Germinal, de Émile Zola, um clássico na iniciação política. Estímulos continuados com a oferta de Humilhados e Ofendidos, de Dostoievski, e a Comédia Humana, de Honoré de Balzac, temáticas  reencontradas, tempos depois, numa masmorra da ditadura. O livro do Ricardo Batista Amaral, uma excelente  reportagem sobre a caminhada política da atual presidenta, poderá minimizar as apatias cívicas que atualmente sobrepairam sobre a sociedade civil brasileira, onde o ter parece sobrepujar amplamente o ser, num individualismo hedonista de futuros pouco nobilitantes, autofágicos por derradeiro.

Uma coletânea primorosa, para quem deseja tomar consciência de uma prolífica trajetória de militante socialista, foi lançada em novembro último pela Companhia das Letras. De autoria de Eric Hobsbawn, Como Mudar o Mundo: Marx e o marxismo, 1840-2011 ressalta as leituras equivocadas que os textos de Marx e Engels provocaram, fornecendo subsídios valiosos para entendimentos clarividentes sobre as entranhas do capitalismo, favorecendo uma compreensão politicamente mais efetiva sobre a atual crise mundial, de consequências ainda não devidamente explicitadas. Segundo Hobsbawn, um incansável divulgador do legado intelectual de Karl Marx, “o que tentei fazer foi mostrar aos grupos que a discussão de Marx e do marxismo não pode ficar limitada ao debate a favor ou contra, ao território político e ideológico ocupado pelas diversas e mutantes variações de marxistas e de seus antagonistas. ... Espero que  meu livro ajude os leitores a reflettir sobre a questão de qual será o futuro do marxismo e da humanidade no século XXI”.

Para quem aprecia saborear um texto culturalmente bem apetrechado, magnificamente bem traduzido por Rubens Figueiredo, Guerra e Paz, Liev Tolstói, editora Cosac Naify, 2011, 2 v., 2536 pp, é bem mais que apenas recomendado. Nascido em 1828, num 28 de agosto (9 de setembro pelo atual calendário), o russo Liev Nikoláievitch Tolstói, de berço aristocrático, teve sua concepção de mundo infantil abalada quando recebeu a notícia do assassinato do seu pai, roubado e trucidado provavelmente pelos próprios servos que o acompanhavam, tornando precária a situação financeira dele e dos familiares.  Escrito entre 1863 e 1869, quando Tolstói tinha 35 anos e um ano de casado, Guerra e Paz portava o título inicial 1805, ano em que as tropas napoleônicas derrotaram as forças austro-russas. O grande mote do livro, segundo Rubens Figueiredo, “consiste em pôr em dúvida crenças e postulados mentais tidos como naturais, universais e eternos”.

Para quem aprecia História do Brasil, o fenomenal Holandeses em Pernambuco, do historiador Leonardo Dantas, criador da Fundação de Cultura Cidade do Recife (1979) e Diretor da Editora Massangana da Fundação Joaquim Nabuco de 1987 a 2003, edição projetada sob patrocínio do Instituto Ricardo Brennad, onde Dantas é consultor. Segundo o diplomata João Alfredo dos Anjos, “Leonardo Dantas une a face dual de Pernambuco, o seu lado popular ao seu lado erudito, a diversidade e a riqueza de nossa cultura”. Segundo ainda o diplomata, Leonardo é o mais importante editor que Pernambuco já conheceu, bastando apenas citar a Coleção Pernambucana e a extraordinária  edição dos Anais Pernambucanos. Um excelente presente para quem demonstra querer melhor conhecer os nossos ontens.

Por fim, a história de uma mulher famosa, que agregava estilo, ambição e audácia. As páginas de Cleópatra, Zahar 2011, escritas pela jornalisa Stacy Schiff, prêmio Pulitzer 2000, colaboradora do New York Times, revelam a sagacidade e a inteligência de uma figura histórica complexa e sedutora, que governou o Egito por 22 anos. A biografia de uma mulher que foi especulação, intriga e lenda.  Uma rainha notavelmente capaz, sagaz por derradeiro, estrategista de primeira água, oportunista ao extremo e sedutora de poderosos. Uma soberana que sabia dar e conquistar, sem botox nem silicone. E que soube conjugar como  ninguém o exótico, o erótico e a dissimulação.          

(Publicada em 13/02/2012, no Portal da Revista ALGOMAIS, Recife – PE)
Fernando Antônio Gonçalves
 

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