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LEITURA FORTIFICANTE
 Para 2013 e casais que se declaram cristãos, recomendaria um presente para seus filhos: a história de registros antigos, desde a invasão dos babilônios, contendo lendas, poesias e profecias, elaborada por pessoas de muita sabedoria, para que não ficassem para sempre perdidas. E que também narra o nascimento de uma personalidade infinitamente abençoada por Deus, para pregar a paz entre os seres humanos e o término das discriminações entre gêneros, crenças, povos e raças. 

Sem o manuseio das bíblias tradicionais, possuidoras de uma linguagem complexa, metafórica, explicitada em versículos de, muitas vezes, não muito fácil compreensão, um volume editado recentemente apresenta um estilo leve e uma estrutura narrativa cativante: O Livro dos Livros, de Trevor Dennis, editora Sextante, feito para dar a adolescentes em formação e adultos com conhecimentos já bolorentos ou nunca apreendidos a trajetória do Povo de Deus de um modo claro e objetivo.

Algumas perguntas, o livro do Trevor Dennis proporciona respostas de compreensão ampla:  Quem somos? Por que somos tão essenciais? Por que a Bíblia foi escrita? Quando? Por quem? Com que objetivos? Que povo tem sua trajetória nela descrita? O que diz a respeito de Jesus? O Livro dos Livros muito  ajudará aos que nunca compreenderam o significado pleno do Antigo e Novo Testamento, através de uma narativa cronologicamente irrepreensível, onde os acontecimentos são explicados de um modo que possibilite a compreensão dos fatos acontecidos.

O autor de tão cativante narrativa histórica, Trevor Dennis, é vice-reitor da Catedral de Chester, Inglaterra, que após ter escrito vários livros sobre o Antigo Testamento, além de cinco coleções de poemas e reflexões sobre passagens da Bíblia, resolveu escrever um livro para jovens e pessoas de todas as idades, favorecendo uma compreensão mais sedutora de uma esplendorosa caminhada, a do Povo de Deus. Segundo ele, em seus Agradecimentos, tudo começou quando dois editores da Lion Publishing lhe proporcionaram a ideia de escrever um texto para jovens, geralmente um tanto avessos aos volumes grossos AT/NT, repletos de livros, capítulos e versículos, alguns enfadonhos, outros expressos em linguagem de compreensão nada contemporânea. O próprio autor  explica: “As versões deste livro são bem diferentes das que você leria se recorresse a uma tradução mais comum da Bíblia. Elas pretendem transmitir algo do estilo de cada história em suas línguas originais, procurando dar uma ideia do sentido por trás de cada história, mostrando coisas que os primeiros ouvintes teriam percebido com facilidade, hoje bem difíceis para o nosso entendimento. Algumas histórias ficaram mais longas, tal como deveriam ser originalmente contadas; outras foram encurtadas com a eliminação de pormenores que não são relevantes”.

Depois de ler o texto do Trevor Dennis, resolvi fazer uma experiência com três adolescentes, de bairros e classes sociais diferenciados: um de classe de boa renda, outro de classe média-média e um terceiro, morador de comunidade de ainda baixa renda, todos de pais cristãos sem atenção para a educação religiosa dos filhos. Três estudantes de escolas particulares não-confessionais, duas de  pequeno porte (2) e a terceira de bom tamanho. Todas mistas.

Os resultados foram surpreendentes. A jovem de classe média, de pronto apaixonou-se pelo livro, obrigando os pais a também dele compartilharem em horas disponíveis. Após sessenta dias, de livro já devorado, ela “convocou” alguns colegas de escola, para uma missão: nas comemorações da Páscoa acontecidas no educandário, cada um deles daria ao um “amigo secreto” o livro do Trevor Dennis. No dia marcado, abertos os presentes, um contágio crescente aconteceu, a manhã de festejos sendo concluída com a constituição espontânea de um grupo supradenominacional chamado Juventude Consciente Com Jesus. 

O da classe menos favorecida pediu aos pais para participar de um acampamento evangélico, arrastando para lá mais dois primos, que também foram agraciados com o livro. Entusiasmados para ninguém botar defeito, aguarda-se as consequências.

O de classe endinheirada foi o que mais resistiu à leitura, perguntando inicialmente porque o livro do Trevor ainda não se encontrava nos iPads da vida tecnológica moderna. A leitura do livro foi iniciada pelos pais, que estão lentamente “contaminando” o jovem com debates amorosamente cativantes entre eles e seus dois irmão, 13 e 10, após jantares cotidianos. O melhor foi o efeito da leitura do texto nos pais dos adolescentes. Sem babaquismos nem dolorismos, tampouo fundamenalismos e fingimentos religiosos típicos, quando todo mundo é bonzinho e o Crucificado um arretado, eles decidiram ser voluntários de uma instituição não-religiosa que abriga velhinhos(as). Uma instituição fundada por um grupo espírita ecumênico por derradeiro, que prega tão somente mais solidariedade e amor fraternal entre os seres humanos. 

Sementes de um livro que cativa, sem os pulinhos aeróbicos de quem apenas se amostra midiaticamente e sem os arroubos ameaçadores dos marqueteiros do fogo do inferno, os leitores acima descritos, resguardadas suas identidades, apenas principiaram a seguir as mensagens do Homão da Galileia, que um dia, sem igrejas nem compêndios escritos, numa manhã de calor terrificante, sentou-se com Fotina, uma mulher samaritana, num dos poços de Jacó, a ela encarecendo um pouco d’água e dela recebendo a atenção devida. Uma solidariedade que deveria ser prestada a todos os povos, independentemente de tudo             

(Publicada em 01.04.2013, no Jornal da Besta Fubana, Recife, Pernambuco)
Fernando Antônio Gonçalves
 
 

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