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INTRODUÇÕES INTELIGENTES
Não tenho informações sufientes sobre como estão sendo ministradas as primeiras noções de Filosofia à juventude do Ensino Médio no país. Receio das cavilações ideologizadoras de docentes que ainda não perceberam que o caminho se faz andando sem sectarizações bolorentas e com muita criticidade estruturada num bom lastro intelectivo. Ensejando, nos adolescentes, uma estruturação mental que proporcione um despertar para ousadias criativas, capazes de muito favorecer uma profissionalidade cidadã consolidada em contínua mutabilidade. Tal e qual aquela “metamorfose ambulante” proclamada pelo Raúl Seixas, menestrel baiano inteligência da bobônica, na expressão do João Silvino da Conceição, meu irmão camarada.
 
Para os que se dedicam ao ensino de Filosofia, disciplina que foi retirada das grades curriculares do Ensino Médio pelos de “coturnos raivosos”, que imaginavam Filosofia e Sociologia como “coisas de comunistas”, encareço a leitura de um livro-preciosidade, que mostra as questões antigas e recentes de uma maneira nova, cativante e indutora de múltiplos quero-mais de outras leituras similares. Os Arquivos Filosóficos, de Stephen Law, editora Martins Fontes, segunda edição lançada há dois meses, é um texto que proporciona um bom mergulhar em desafiantes quebra-cabeças. E o autor do livro é professor de Filosofia da Universidade de Londres, sendo editor do jornal Think, do Royal Institute of Philosophy, um periódico destinado ao público em geral.
 
Os capítulos do livro do professor Law são perguntas – Devo comer carne?, Como saber se este mundo é virtual ou não?, Onde estou?, O que é real?, Será que é possível pular no mesmo rio duas vezes?, De onde vêm o certo e o errado?, O que é a mente?, e Deus existe? -, todas elas questões filosóficas, muitas delas atropeladas e asfixiadas por um cotidiano imediatista, onde o ser não emerge dada as impetuosidades de um ter que, muitas vezes, é inconsequente e auto-fágico, sem a percepção dialética de uma historicidade que não é determinística, mas que bem analisa as possibilidades vitoriosas ou trágicas dos amanhãs que se sucedem.
 
No livro, questões importantes favorecem reflexões e reposicionamentos existenciais. Uma delas: Por que é errado matar e comer animais humanos, mas não é errado matar e comer animais não-humanos? E o último capítulo – Deus existe? –oferece insumos significativos para a ampliação de reflexões sobre um Criador que não é, sob hipótese alguma, um velho raivoso sentado numa núvem, um relojoeiro cósmico que mostra as horas de acontecer isso ou aquilo, cada um com seu DNA e suas mutações pela seleção natural das coisas.
 
Um segundo livro, que propicia iniciação ao filosofar para adolescentes e os universitários ainda distanciados de um pensar crítico, foi editada pela editora Madras. Trata-se de Filosofia, Um Guia para Iniciantes, de duas consagradas profissionais, Jenny Teichman e Katherine C. Evans, a primeira australiana, a segunda de origem anglo-saxônica, graduada por Cambridge. Um texto para leitores comuns e calouros universitários, com nenhum jargão técnico. Contendo seis partes – A Filosofia do Ser e do Saber, A Filosofia do Valor, A Filosofia do Estado e do Cidadão, A Filosofia da Ciência, A Filosofia da Inferência e do Argumento, e Filosofia e Vida -, o texto ainda possui três apêndices: Grandes Filósofos, Filosofia no Século XX e Filosofia Hoje. Excelente leitura, já traduzida para vários idiomas, tida como de muita valia para quem deseja obter uma visão inicial do mundo da Filosofia. Principalmente numa época eleitoral, onde muitos ainda não assimilaram devidamente os conceitos de poder, de manipulação e de receitas.    
 
As leituras acima favorecerão a ampliação de uma cidadania, a brasileira, que saiba bem conjugar o termo liberdade, em suas mais diferenciadas significações.
 
PS. Dizem que o Barão do Rio Branco está envergonhado da sua Ordem.
 
 
(Jornal do Commercio, Recife, PE, 05.05.2010)
Fernando Antônio Gonçalves
 

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