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INSTITUTO HUMANITAS UNICAP
De parabéns os que fazem a Universidade Católica de Pernambuco, hoje sob a batuta do reitor pe. Pedro Rubens, pela inauguração, quarta-feira passada 19, do Instituto Humanitas Unicap. Uma solenidade que contou com a presença do arcebispo Dom Fernando Saburido, de Olinda e Recife. Evento festivo integrado à abertura da Semana Teológica Unicap, acontecimento periodicamente aplaudido pelo conteúdo das exposições transecumênicas e pelo nível organizacional. 

Segundo informações dadas pelo reitor da Unicap, o Instituto Humanitas Unisinos (IHU), “pai” do Instituto Humanitas Unicap, foi criado, em 2001, na  Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), São Leopoldo, Rio Grande do Sul. Tendo conquistado o cenário nacional antes do seu 10º ano de fundação. Muito elogiado pela originalidade e pertinência manifestas através de comunicações de grande calibre, eventos e produções de qualidade. Explicitados inclusive através de site elaborado com ténica esmerada.  

Na Unisinos, RS, o Instituto Humanitas se apresenta como um fórum de debate livre, com diálogo permanentemente aberto com a sociedade brasileira, analisando e expondo temas de interesse público, caracterizando-se por uma visão crítico-analítica sobre os mais diferenciados saberes, a verdade se constituindo no seu objetivo primordial.

O termo Humanitas, segundo ainda o pe. Pedro Rubens, explicita a busca continuada por novas formas de humanismo, radicalmente aberta ao intercâmbio com todas as tradições, seguindo as exigências requeridas pelo espírito de um tempo, o do século XXI, onde não mais são permitidos  hermetismos e dogmas. Um tempo onde “é preciso arriscar: trazer os nossos enganos até o chão da realidade, remover suas máscaras e sua mística, e escolher, com audácia se for preciso, que portas vamos abrir ou ignorar”, um incentivo proporcionado pela ensaísta Lya Luft, em seu recente Múltipla Escolha, Record, 2010.

No Instituto Humanitas Unicap, através de uma atualização continuada do binômio jesuíta Fé e Justiça, se ampliará um diálogo fecundo com a Cultura e a Sociedade num contexto irreversivelmente mundializado, que velozmente se deseuropeíza na direção de geografias as mais diferenciadas. “Humanizar a humanidade” tornar-se-á tarefa essencial do Instituto Humanitas Unicap, fincando alicerces através de um nunca hegemônico diálogo com a pluralidade, única senha de acesso à mentalidade científica contemporânea, com suas intermediações e desintermediações de alta voltagem. Em amanhãs que exigirão, cada vez mais, binoculizações de forte enxergância, onde as pulgas (cérebros) estarão sendo bem mais valorizadas que os elefantes (organizações), utilizando a dicotomia idealizada por Charles Handy, no seu livro O Elefante e a Pulga, lançado em nosso país pela Actual Editora, São Paulo.

Gostei muitíssimo quando o reitor pe. Pedro Rubens destacou que o Instituto Humanitas Unicap não será uma mera imitação da instituição gaúcha, mas iniciativa própria desabrochada daquela boa sementeira. Tornada sonho caminhante no fortalecimento de uma liderança cristã regional, a partir de um Pernambuco que se impulsiona cultural, econômica e socialmente na direção de patamares mais elevados, exigindo estratégias situadas além dos apenas bancos escolares, cuspe e giz. Ou de datashows utilizados sem criatividade alguma, tornadas apenas tecnologias explicitadas por provincianismos modernosos.

Que o Instituto Humanitas Unicap, antes de cargos e salários, busque alternativas para os atuais modelos dominantes regionais, “desmascarando interesses particulares com aparência de bens universais, evidenciando critérios de discernimentos dos processos históricos que promovam a justiça, a superação da pobreza, a defesa dos direitos humanos fundamentais”, segundo o reitor da Unicap, instituição onde me graduei em Economia, tendo integrado com dedicação seu corpo docente por alguns bons anos.

Na sua entrevista, o pe. Pedro Rubens citou o poeta Fernando Pessoa, excelente sinal de uma antenação histórica de bom calibre. Por sentir admiração pelo lusitano notável, o reitor deve ter bem guardado na sua memória uma das reflexões mais notáveis de Pessoa, substituindo apenas nação por região: “Por vitalidade de uma nação não se pode entender nem a sua força militar, nem a sua prosperidade comercial, coisas secundárias e por assim dizer físicas nas nações; tem de se entender a sua exuberância de alma, isto é, a sua capacidade de criar, não já simples ciência, o que é restrito e mecânico, mas novos moldes, novas idéias gerais, para o movimento civilizacional a que pertence”.

O jornalista Daniel Coyle, editor da revista Outside, proclama que “os circuitos das habilidades não são fáceis de construir, o treinamento profundo exige sério esforço e dedicação extrema”. Que o Instituto Humanitas Unicap possua uma poderosa ignição, um site nacional, uma direção não-contemplativa e um punhado de colaboradores alpinistas, a buscarem para o Instituto um cume reconhecido pelas lideranças comunitárias regionais. “Com as duas mãos e o sentimento do mundo”, como declamava o poeta Drummond. Principalmente do mundo nordestino, claro.
 
(Portal da Revista ALGOMAIS, 24/05/2010, Recife – PE)
Fernando Antônio Gonçalves

 
 

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