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INDAGAÇÃO OPORTUNA
Um questionamento foi feito pelo Edward Said, talento palestino naturalizado norte-americano, já eternizado, cujo livro Cultura e Política li, reli e rabisquei com inusitado entusiasmo: “Quem deverá revelar e elucidar as disputas, desafiar e ter esperança de vencer o silêncio imposto e a quietude conformada do poder?” .

Diferentemente dos novos-ricos, uma nova categoria emergiu nos últimos anos no cenário nacional: a dos novos-profissionais. Nela estão atualmente inclusos jovens com escolaridade definhada e uma profissionalidade pouco qualificada. E a conclusão é dos especialistas: “o trabalhador brasileiro está sem qualificação para um mercado em expansão, salvo as exceções que obtêm futuro de quaidade”.

Na minha compreensão, o trabalhador brasileiro deveria ser definido nos versos do Jessier Quirino, esse nordestino gota sereno de arretado que se declara arquiteto por profissão, poeta por vocação e matuto por convicção: “Sois argumento de foice / Sois riacho correntoso / Tu sois carquejo espinhoso / Sois calo de coronel / Sois cor de barro a granel / Sois couro bom que não mofa / Sois um doutor sem farofa / Sem soqueira de anel”. E que precisa ser mais respeitado nos seus direitos educacionais através de políticas públicas capacitadoras, sem slonganizações que apenas tapeiam os descidadanizados, aqueles que se imaginam salvos por gestos de paz-e-amor e risos largos, que os deixam abilolados, esquecidos daquela máxima que diz que “a gente nunca devia se esquecer de quem se esquecesse da gente”.

Para os que ainda não ampliaram sua enxergância cidadã, envio o bilhete abaixo, tomando por base alguns pensares do Jessier Quirino:

“Se há um ditado que diz cada qual só devia estirar a perna até onde lhe chega o lençol, é chegada a hora de providenciar um lençol novo, para deixar de ser disleriado, pois triste do rato que não conhece mais um buraco. Não perca a oportunidade de aprimorar seus talentos: abra o curral da verdade, pois cerca ruim é que ensina o boi ser ladrão. Desejo vê-lo, no cotidiano, com um querer, uma pujança daquela que dá sustança na homência do cabôco. Lembre-se sempre: quem bem trabalha num sofre. Todo cuidado é pouco com os de converseiro comprido, desses que pedem para você latir pra poupar cachorro, pra ficar desbrasileiro. Aprimorando seu talento no derredor, você poderá dizer sem medo de ser desbancado: sou um sujeito machudo, altamente federal, e omoplaticamente não conheço um só valente que tenha meu cabedal. Nunca se apaixone pela sua própria história e fique atento diante dos simbolismos dos gestos, procedimentos e fatos. Não se esqueça jamais: as escolhas que fazemos ditam a vida que levamos. Que um Jesus bem cristoso e chei de glória lhe proteja sempre. Um abração bem arretado. O mundo é uma bodega pequena e sortida.

Para os que saíram dos patamares mais desesperados e hoje já possuem um mínimo necessário para subsistência sua e dos seus, uma reflexão do pensador Ludwig Wittgenstein, um dos pais da filosofia analítica, também engenheiro e matemático: “Você não deve conquistar as comodidades da vida como um ladrão. Ou como um cachorro que rouba um osso & sai correndo com ele”. Em outras palavras: perceba-se sempre um inconcluso, que necessita existencialmente cada vez mais aprimorar-se, sabendo distinguir o que permanece e o que é mutável, sempre voltado para os amanhãs que libertam, sem tornar-se opressor, muito embora tenha sido no passado oprimido. Sempre a endurecer, sem perder a ternura jamais.

Até sempre!, como bem dizia o sempre muito lembrado Dom Hélder Câmara!!”.

PS. Na sua apresentação primeira em solo pernambucano, no sábado passado, Paul McCartney, segurando a bandeira de Pernambuco, declarou que nós éramos um Povo Arretado!!! Merchandising à parte, vibrei com a declaração do artista. Me senti cada vez mais pernambucano, acima de tudo mais brasileiro!!! Sejamos cada vez mais um Povo Muito Arretado!!!  
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Fernando Antônio Gonçalves é professor universitário e pesquisador social.


 (Publicada em 23.04.2012, no Jornal da Besta Fubana (www.luizberto.hotmail.com) 
Fernando Antônio Gonçalves

 

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