facebook
Aumentar fonte  Diminuir fonte  Indicar esta página  Imprimir esta página
HORA DE ENXERGÂNCIAS
 Assinaria embaixo o escrito por Blaise Pascal (1623 - 1662), aquele que inventou uma máquina de calcular aos dezoito anos de idade, também sendo um incentivador dos estudos sobre os vícios e as imperfeições do seu tempo: “O ser humano  não passa de um caniço, o mais fraco da natureza, mas é um caniço pensante”. Um ser pensante, que deveria aprender a ruminar mais, mastigar mais os prós e os contras de uma pós-modernidade que está a necessitar urgentemente assimilar melhor alguns conceitos imprescindíveis para uma sobrevivência planetária. Solidariedade, fraternidade, paz, mundialização, meio ambiente, auto-consciência, humanismo, macroecumenismo, bioética,  entre tantos outros, necessitam ser apreendidos desde os primeiros anos escolares.
Reler com atenção a Gaudium et Spes, um dos documentos mais bússolas do século XX, é imprescindível. A GS está hoje esmaecida intencionalmente pelos mandões eclesiásticos que, já quase às portas da eternidade, não possuem enxergâncias capazes de binoculizações cativantes radicalmente evangelizadoras, sempre atentas ao que proclamou o livro dos Provérbios: “Não explore os pobres por serem pobres, sem oprima os necessitados no tribunal, pois o Senhor será o advogado deles, e despojará da vida os que os despojarem” (Pv 22,22-23).
Quando eu era ainda universitário, um bocado de tempo atrás, costumava ouvir professores de notável saber humanístico dissertarem sobre assuntos palpitantes, atualízadíssimos, polêmicos, muitos deles revolucionariamente políticos, repletos de emulações para estudos ainda mais desafiadores. A quantidade de livros editados era menor, mas as publicações eram bem mais taludas, sem ainda as influências do poder midiático, um fabricador de talentos, a maioria deles sem qualquer selo de qualidade, bastando apenas esforços histriônicos para manter-se no picadeiro por alguns tempos.   
 Hoje, partidos políticos, sindicatos, salas de aula e até denominações religiosas preferem as ovelhas e menosprezam os cabritos. As ovelhas são bobinhas, algumas bem mais comportadinhas que outras porque mais abiloladas, necessitam andar em bando e sob a vigilância de um pastoreador, perdendo-se sempre à menor ousadia praticada. Já os cabritos, ávidos por novos pulos e de olhos bem abertos e buliçosos, sabem pesquisar os derredores com agilidade ímpar, nunca se quedando diante dos obstáculos encontrados, sabendo safar-se com destreza aos pulos e sendo coiceiro quando a estratégia se torna indispensável. Embora não existam estatísticas oficiais comprobatórias, estima-se que cada cabrito tem que suportar o derredor de muitos milhares de ovelhas, muitas delas criticamente  já ó-velhas.
 Uma das tarefas ambiciosas de uma pós-modernidade que se encaminha para se emaranhar num cipoal de informações sem a devida sabedoria poderia lastrear-se sob três grandes vertentes: estigmatizar a rotina, erradicar a hipocrisia e sepultar o servilismo. Tarefas que revalorizariam uma salutar imbricação entre saber humanístico e conhecimento científico, a favorecer o aprimoramento de uma auto-consciência humana nos seus papéis de autor e ator de uma História nunca conclusiva, sempre em contínua metamorfose.
 

Site criado com o sistema Easysite Acadêmico da eCliente.
ECLIENTE INFORMÁTICA