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HERÓIS DE VARSÓVIA
 Quando, em 1940, os assassinos nazistas amontoaram 450 mil judeus em menos de quatro quilômetros quadrados, no Gueto de Varsóvia, o mundo não imaginava que, no início de 1942, mais de 80 mil já haviam falecido de fome, alguns meses depois outros 300 mil seriam transferidos para campos de extermínio. E em 1943, maio, quando os moradores do Gueto se rebelaram, o restante, 60 mil, foi morto ou deportado, o bairro sendo integralmente destruído.
 
Nesta tragédia assassina, provocada pela insanidade dos alucinados do III Reich, heróis ficaram eternamente reverenciados pelo mundo hebreu, comandados por Emanuel Ringelblum, o criador da Alegria do Sábado, uma organização secreta que tinha por finalidade resistir e documentar a vida desenvolvida no Gueto, incentivando as solidariedades pelos encarcerados e documentando as crueldades praticadas pelos nazistas para as gerações futuras. Reunindo testemunhas e anotações desse pavoroso crime contra a humanidade, enterraram tudo em locais secretos, posteriormente desenterrados pelos poucos sobreviventes.
 
Um livro sobre o acervo secreto de Varsóvia merece ser lido com todo respeito e a mais ampla sensibilidade: Quem escreverá nossa história?: Os arquivos secretos do Gueto de Varsóvia, Samuel D. Kassow, SP, Cia. das Letras, 2009. O autor ocupa a cátedra Charles Northam de História no Trinity College, Connecticut, USA, tendo manuseado milhares de documentos e anotações. Um feito que pode ser considerado como o maior projeto intelectual da Segunda Guerra Mundial, hoje transformado em patrimônio cultural da humanidade.
Retrieved after World War II from metal boxes and milk cans buried beneath the ruins of the Warsaw Ghetto, the Oyneg Shabes–Ringelblum Archive was clandestinely compiled between 1940 and 1943 under the leadership of historian Emanuel Ringelblum.
Segundo informações históricas, “os arquivos foram obtidos após a Segunda Guerra Mundial a partir de caixas de metal e latas de leite enterradas sob as ruínas do gueto de Varsóvia. Foram compilados clandestinamente entre 1940 e 1943, sob a liderança do historiador Emanuel Ringelblum. Members of the secret Oyneg Shabes organization gathered thousands of testimonies from natives of Warsaw and refugees from hundreds of other localities, creating a documentary record of the wartime fate of Polish Jewry. Os membros da organização secreta Oyneg Shabes reuniu milhares de testemunhos de encarcerados de Varsóvia e refugiados de centenas de outras localidades, além da criação de um registro documental do destino em tempo de guerra de judeus poloneses. Now housed in the Jewish Historical Institute in Warsaw, the archive comprises some 35,000 pages, including documents, materials from the underground press, photographs, memoirs, belles lettres, and much more. Agora alojado no Instituto Histórico Judaico em Varsóvia, o arquivo abrange cerca de 35.000 páginas, incluindo documentos, matérias de imprensa, fotografias, memórias e cartas”.
—from the introduction by Samuel D. Kassow
Segundo  Samuel Kassow na sua Introdução, todo trabalho de cavar os escombros do edifício que ficava na Nowolipki 68 teve início em 16 de setembro de 1946, após semanas de planos e preparativos. Não sendo um trabalho simples, a Oyneg Shabes envolveu dezenas de pessoas que documentaram e registraram a vida judaica naquele gueto.
 
Um dos jovens que mais colaboraram, David Graber, deixou um escrito. Sintentizo-o, para fechar o artigo: “O que não podemos gritar e bradar enterramos no chão. Para que o mundo possa saber tudo. Cumprimos nossa missão. Que a história seja testemunha”.
 
(Publicado em 28.02.2015, no Jornal do Commercio, Recife, Pernambuco
Fernando Antônio Gonçalves
 

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