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GUERRA BEM NARRADA
 Meu amigo Arão Parnes  me remete um livro que amplia meus parcos conhecimentos sobre conflitos mundiais: A Europa em Guerra 1939-1945, Norman Davies, Edições 70. O relato tem um desenvolvimento bem diferenciado, iniciado por um singular balizamento: “Cada uma das nações que participaram na Segunda Guerra Mundial tem a sua versão dos acontecimentos. Britânicos e Americanos, Alemães e Italianos, Franceses e Holandeses, Russos e Polacos, Judeus e muitos outros, todos enfatizam as experiências do seu povo. Propositada ou inadvertidamente, todos eles diminuem a diversidade de experiências e inibem a apresentação de um panorama geral. Impedem que se veja o quadro completo”.

Davies explicita as diferenciadas comemorações ocorridas por ocasião do 60º aniversário do final da Segunda Guerra Mundial, em 2005. Em Washington, por exemplo,  foi inaugurado um memorial, onde na entrada pode-se ler a inscrição Segunda Guerra Mundial 1941-1945. Depreende-se que o memorial não é dedicado à Segunda Guerra, mas ao envolvimento da nação norteamericana no conflito. E milhões de estadunidenses ainda imaginam que o seu país ganhou a guerra sozinho.

Numa comemoração acontecida na Polônia, também em 2005, sobre a libertação de Auschwitz, foram prestadas homenagens a mais de um milhão de mortos, a maioria dos quais de origem judaica. Nenhuma alusão foi feita a outros ex-campos de concentração utilizados pelas forças de segurança soviética. Ficando a impressão que somente os nazis foram dirigentes de campos de concentração durante aquele período.

Em maio de 2005, manifestações outras aconteceram em Moscou, onde o presidente Putin foi anfitrião de 50 chefes de Estado. Muitas homenagens foram prestadas ao Exército Vermelho, que contribuiu para a derrota das forças nazistas. No desfile, grandes retratos de Stálin, poucos estrangeiros se apercebendo do truque político que estava sendo praticado, desconhecendo o que praticara a URSS sob o domínio de Stalin, principalmente com a Ucrânia, no período 1939-1945.

Fatos narrados no livro comprovam as diferenciadas visões acerca daquele período bélico, inclusive, na Alemanha, onde foi inaugurado o muito controverso Memorial aos Judeus Assassinados da Europa.

A leitura do livro é esclarecedora por derradeiro: “um dos principais objetivos do trabalho é não apresentar fatos novos, mas reorganizar, justapor e reintegrar fatos bem estabelecidos que até então têm sido considerados isoladamente”.

História didaticamente explicitada é uma forma salutar de ampliar a Cidadania de jovens e adultos, principalmente em épocas de turbulências múltiplas, onde muitos países enviesam narrativas, fingindo-se de salvadores.

(Publicado no Jornal do Commercio, Recife, Pernambuco, 24.08.2013

Fernando Antônio Gonçalvesa
 

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