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FUTUROS INQUIETANTES
Com as posturas de uma elite financeira mundial que não percebe a urgência de novos caminhares e que se distancia celeremente de estágios civilizatórios mais sensatamente distributivistas, faz-se indispensável a disseminação de advertências que ampliem criticidades, alertando acerca das aventuras dos seres humanos na produção e acumulação desenfreadas de riquezas, pouco se lixando o respeito ao meio ambiente e aos demais seres humanos que pululam nas condições mais ignóbeis.

Um dos meus alunos mais aplicados, o Jofre de Assis Paulino, efetivou uma dissertação de conclusão do seu curso de Administração baseada num binômio que se encontra esmaecido no consciente planetário: os avanços tecnológicos e o futuro da humanidade. Ele se inspirou no livro  Os Avanços Tecnológicos e o Futuro da Humanidade: Querendo Ser Deus?, da Rose Marie Muraro, editado pela Vozes, em 2009.

Para quem ainda não devidamente conhece a escritora Rose Marie Muraro, ela já escreveu mais de 35 livros, editou mais de 1600 livros em toda sua caminhada profissional e foi durante 17 anos diretora da Vozes, tendo sido também diretora da única editora dedicada a Gênero na América Latina, a Rosa dos Ventos, 1990-2000. Com múltiplas premiações, nacionais e internacionais, ela também é Patrona do Feminismo Brasileiro, segundo a Lei 11.261, sacionada pelo Presidente da República Luís Inácio Lula da Silva em 30 de dezembro de 2005. E o Senado Federal concedeu-lhe, em 2008, o Prêmio Bertha Lutz. Nascida rica, abandonou o bem-bom social para dedicar-se à construção de um novo mundo, tornando-se integrada aos movimentos sociais criados pelo então padre Hélder Câmara, depois um arcebispo muito diferenciado dos demais que pela Arquidiocese de Olinda e Recife passaram ou estão passando.

Indaguei do Paulino as razões pelas quais ele se apaixonou pelo livro da Rose Marie Muraro, acima citado. E ele me deu uma explicação por escrito, permitindo que a transcrevesse onde eu melhor desejasse. Eis o texto do Paulino:

“Após leitura do livro da Rose Marie Muraro, como futuro Administrador principiei a compreender melhor as relações íntimas e profundamente predadoras existentes entre os detentores  de uma tecnologia e os manipuladores do Grande Capital, que apenas buscam usufruir cada vez mais lucros astronômicos, mesmo distanciados de quaisquer benefícios humanitários. A crise global das finanças 2008-2009, atualmente ainda proporcionando sequelas danosas para os menos favorecidos do mundo, me convenceram da necessidade de reinventar o dinheiro planetário, democratizando as finanças internacionais, buscando alterar o conteúdo dos livros convencionais e currículos das Faculdades de Administração e Economia, adredemente induzidos pelo Cassino Global, atualmente em fase pré-falimentar.  Que buscam direcionar alunos incautos por ganhos imediatos e fáceis para atividades trans-humanistas, individualistas por derradeiro, que não pressentem, porque analistas incultos, as múltiplas ameaças que sobrepairam sobre todos, a partir da destruição ambiental, da exclusão econômica e de uma invasão de privacidade cada vez mais degenerativa. Como exemplo que posso dar, o novo Código Florestal em tramitação no Congresso Nacional está gerando discussões marcadas por interesses eleitoreiros ou ideológicos entre partes que sequer estão atentando para os lençóis freáticos que estão sendo sugados por estupendas engrenagens tecnológicas, secando os aquíferos de todo planeta, produzindo sinistras projeções para os amanhãs agrícolas planetários. Tecnologia avançada será sempre bem recebida, desde que os seus responsáveis saibam utilizá-la de forma civilizadamente ética. No prefácio do livro da Muraro está escrito pelo Ladislau Dowbor, professor cabeça pensante da Pós-Graduação de Economia e Administração da PUC-SP: ‘todos receamos nos envolver em visões conspiratórias, mas andamos  desconfiados. Como dizem os hispânicos, yo no creo en bruxas; pero que las hay, las hay. ... Hoje, segundo as Nações Unidas, 435 famílias controlam uma riqueza maior do que a renda da metade mais pobre da população mundial.’ O meu trabalho, baseado nos dados do livro da Dra. Rosa Marie Muraro, é um pequeno tijolo na construção da efetivação de novos processos econômico-financeiros que minimizem os vexaminosos indicadores de pobreza e os escabrosos mecanismos de destruição ambiental”.

Confesso que senti um orgulho danado de bom do Jofre de Assis Paulino, aluno cidadanizado de um Curso de Administração. E também uma baita comiseração pelos ainda não-enxergantes, os abiscoitados de carteirinha.   

(Publicada em 09.06.2011, no Portal da Globo Nordeste, blog BATE & REBATE)
Fernando Antônio Gonçalves

 

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