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ESCRITOS DE UM NOTÁVEL
Confesso, sem qualquer interesse de propagandear, que gostaria muitíssimo de encompridar minhas horas de leitura, passando por cima de algumas obrigações profissionais com instituições que me acompanham há muitos anos. Daí o dever de escolher bem as páginas que serão lidas, subdivididas em “de lazer”, “de aprimoramento técnico”, “de ampliação cognitiva da Doutrina Espírita” e “de atualizações conjunturais”, quase sempre de duração correlata às minhas necessidades momentâneas.

Outro dia, pouco antes das festividades juninas acontecidas na propriedade de uma prima muito querida, a Trudinha, obrigatoriedade de presença anual, dada ser um evento arretadamente ótimo, com muito forró ao vivo, papos descontraídos, muito milho cozido e uns “guaranás” diferenciados, iniciei a leitura de um livro que me foi enviado de Belo Horizonte, MG, de leitura sedutora por derradeiro. Estudos e crônicas, Hermínio C. Miranda (1920-2013), Brasília, editora FEB, 2013, 378 p. Um livro de contracapa sedutora: “A partir de encantadoras crônicas, de leitura fácil e envolvente, Hermínio C. Miranda aborda passagens evangélicas, expõe a confirmação dos princípios básicos nas doces palavras do Mestre Jesus e tece sabiamente temas como reencarnação, regressão da memória, terapia do futuro, relacionamento, mediunidade, sonhos proféticos, dramas e outros.

O livro do Hermínio é dividido em oito partes: 1. Doutrina Espírita; 2. Evangelho; 3. A maldição dos faraós; 4. Mediunidade; 5. Paulo de Tarso; 6. Reencarnação; 7. Relacionamento; e 8.Regressão de memória.Também merecedora de muitos aplauso, ainda de Hermínio C. Miranda, a base da parte 4 – Mediunidade, do livro citado acima, o estudo teórico Diversidade dos Carismas: teoria e prática da mediunidade, São Paulo, SP, Lachâtre, 2006, 508 p., constituído de três módulos distintos: um destinado a documentar problemas básicos enfrentados pelos médiuns, o segundo analisa aspectos mais relacionados com o animismo, e o terceiro se prende a mediunidade em si, seus aspectos mais fundamentais. Na Introdução, o próprio Hermínio estabelece as finalidades do seu livro: “Se as observações e experiências contidas nestas páginas forem de utilidade a alguém, sentir-me-ei encorajado a me apresentar, um dia, aos meus queridos mentores como aquele obreiro - de que falou Paulo a Timóteo (II Timóteo 2,15) – que ‘não tem de que se envergonhar’ do trabalho realizado.”

Por fim, insatisfeito com doutrinas filosóficas, científicas e religiosas que propunham resposta alguns dos seus questionamentos, Hermínio C. Miranda resolveu explorar o território ideológico do espiritismo a partir de um roteiro solicitado por amigo de longa data. E publicou o livro Alquimia da Mente, Bragança Paulista – SP, Editora 3 de outubro, 2010, 311 p., temas densamente pensados, onde ele propõe um honesto conchavo com seus leitores. No livro, HCM pesquisa o psiquismo na matéria, estuda cérebro e mente, consciente e inconsciente, alquimia e gnose, apresentando reflexões e propostas conclusivas diante da questão ser e estar, buscando estabelecer significado para “intelectualizar a matéria” (Kardec), “pensar a matéria” (Bergson) e “buscar o psiquismo através da forma” (Chardin). E ressalta, em suas linhas finais: “Não desejo fazer pregação – embora nada tenha contra isso, pelo contrário. Este livro não é um apelo, um libelo e nem uma advertência – é apenas uma dissertação linear sobre a alienação em que vivemos, por estamos divididos não com relação aos outros, mas dentro de nós mesmos. O recado, certamente, tardio é também incômodo e, sem dúvida, quixotesco. Sonho com a expectativa de que possa servir a um ou outro leitor ou leitora mais atentos. Como dizia um verso da cançoneta de South Pacific, se a gente não sonha, como é que os nossos sonhos vão se realizar? Quando é que a gente vai começar a viver numa comunidade consciente de que apenas estamos num corpo físico, mas que somos seres espirituais imortais e com o passaporte cósmico carimbado, desde as nossas origens, para os elevados patamares da perfeição?

Os estudos de Miranda também incluíram um roteiro pioneiro intitulado A memória e o tempo, Bragança Paulista SP, Instituto Lachâtre, 2013, 328 p., já em 8ª. edição àquela época. No livro, ele “utiliza a técnica da regressão de memória pelo magnetismo como instrumento de exploração dos arquivos indeléveis da mente, ali depositados desde remotas experiências.” No suas experiências, Miranda reavalia as pioneiras experiências de Albert de Rochas, reexaminando ainda a doutrina freudiana, diante dos conceitos de reencarnação e sobrevivência. Uma leitura pra lá de indispensável para quem tem interesse em esmiuçar os escaninhos da mente humana, através da natureza da psique. Depois de uma Introdução, o livro é composto de oito partes: 1. As estruturas, 2. A dinâmica; 3.Visão retrospectiva; 4. Albert de Rochas e suas experimentações; 5. Freud; 6. Experiências e observações pessoais; 7. A reencarnação como instrumento terapêutico; 8. Reflexões de um leigo. Além de um posfácio, onde são explicitadas novas considerações e conotações éticas, como doutrinadores e pontos de maturação cármica, além de pontos fundamentais sobre teoria e culpabilidade.

Decididamente, estudos, pesquisas e crônicas de um talento brasileiro estupendamento ótimo!!

(Publicado em 30.07.2018 no site do Jornal da Besta Fubana (www.luizberto.com) e em nosso site www.fernandogoncalves.pro.br)
Fernando Antônio Gonçalves
 
 

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