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ENSAIOS DE GEBARA
 A revista eletrônica ecumênica Tempo & Presença conta, há muitos anos, com a colaboração de uma teóloga, freira, católica e feminista, professora durante 17 anos do Instituto Teológico do Recife (ITER), ao lado de Dom Hélder Câmara, criador do instituto em 1978, fechado pelo Vaticano após a aposentadoria do Dom, graças às fuxicarias enviadas pelo seu substituto.
 
Ivone Gebara é o seu nome, nascida em São Paulo, 1944, de ascendência sírio-libanesa, PhD em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, processada e condenada pelo Vaticano, nos anos 1990, por fazer críticas à doutrina moral da Igreja, sendo-lhe imposto silêncio obsequioso. Ficou fora do Brasil durante os dois anos de castigo, obtendo seu segundo doutorado em Ciência da Religião pela Universidade Católica de Louvain, na Bélgica, onde também produziu o livro Rompendo o silêncio: uma fenomenologia do mal.
 
No ano passado, a Fonte Editorial, São Paulo, sob apresentação do também teólogo Zwinglio Dias, lançou o livro Teologia Urbana: ensaios sobre ética, gênero, meio ambiente e condição humana, contendo 52 ensaios escritos por Gebara, subdivididos em 7 partes temáticas – Sobre a condição humana, Sobre o fazer teológico, Questões de gênero, Sobre a (in)tolerância, Sobre ética e religiosidade, Sobre as dimensões de pobreza e Sobre Questões ambientais. Diz o teólogo Zwinglio Dias: “A autora oferece novas pistas hermenêuticas para a elaboração de um novo paradigma capaz de revitalizar o movimento ecumênico e criar condições para o estabelecimento do necessário mas ainda escasso diálogo inter-religioso entre as instituições religiosas que conformam o campo religioso brasileiro”.
 
Nas duas últimas semanas, ainda envolto em muitas saudades e inesquecíveis recordações, li os ensaios da Gebara. E peço licença para aqui reproduzir algumas das reflexões gebarianas que calaram fundo em meu interior:
 
“Estamos acometidos por uma espécie de preguiça existencial que nos faz crer no incontestável império da tecnologia em detrimento do simples bem estar da população através de outros caminhos”.
 
“Como podemos contribuir para além das palavras da moda para o bem estar do planeta e das populações mais necessitadas através de pequenos gestos capazes de sustentar qualitativamente a vida diária?”
 
“A banalização da injustiça social, a volta ao individualismo selvagem, a submissão a uma economia de mercado que excita um consumismo doentio, vai diminuindo a responsabilidade coletiva de todos nós em relação a uma qualidade de vida para todos”.
 
“A esmola tornou-se vício de grandes e pequenos, de altos empresários e de proletários famintos, de grandes empresas e de ONGs fantasmas, de igrejas e de templos que se multiplicam a olhos vistos”.
 
(Publicado em 27.06.2015, no Jornal do Commercio, Recife, Pernambuco)
Fernando Antônio Gonçalves
 

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