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ENREDO ESPETACULAR
 O talentoso jornalista Ricardo Noblat, admiração minha de muitos anos, desde quando éramos contraparentes, outro dia escreveu um espetacular artigo-profecia que me deixou incentivado  a elaborar, com um especialista em dramaturgia, o enredo de uma mini-série chamada Nunca Sabia até Descadeirar-se, com um elenco inspirado em personagens da atual conjuntura histórica brasileira, repleta de grandiosidades a la Ministro Joaquim Barbosa, negro que enobrece sobremaneira a nossa afrodescendência. E também de bravateiros maxistas, do safadão Max, o da Avenida Brasil, que enodoam a vida pública nacional. Sempre se orientando pelo balizamento maior do Noblat, o de caminhar, ao escrever a mini-série, “sempre com toda prudência, característica marcante dos mineiros”. Como minha mulher é mineira, estarei navegando em mares promissores. 

O enredo teria muitos participantes, uns falantes e fanhosos, outros sempre cinicamente sorridentes, uns brabos de verdade e outros de mentirinha, para não falar das mulheres, algumas de fino trato, outras panos de chão, a linda Suelen sendo piriquete de terceiro escalão. 

Mais ou menos, a série assim se desenvolveria:
1. Um ex-enorme gordo, cara de cachorro brabo, insatisfeito com as poucas benesses recebidas do ponto mais alto, resolve botar a boca no trombone, apontando uma comilança que se desenvolvia no Congresso Nacional, envolvendo alguns marginais metidos a deputados que recebiam botijas recheadas de reais aos montes de alguns intermediários valéricos. Representativos do ácido C5H10O2, muito utilizado nas perfumarias especializadas em escamotear odores fétidos que emergiam de alguns ambientes políticos, sob as barbas de dirigentes assessorados por um nipônico que se fazia sempre de abestado gerente de uma organização e que induzia a abertura das cavernas para todo tipo de iniciativa, a Seabra Fácil. 

2. Percebendo que o seu futuro poderia resvalar para os esgotos das dejeções mais escatológicas, que nada tinham a ver com o destino final dos seres humanos, o intermediário, até então um marco essencial nas trampolinagens praticadas, resolver contra-atacar. E revelou, numa gravação muito bem conduzida por talentosos profissionais do seu próprio ramo de atividades, cobras e lagartos que envolviam barbas, tesourarias, dirceus sem marílias e dólares nas cuecas, entre outras conchamblanças nada ortodoxas, além de cachaça a rodo, uísque de montão, saques bancários urbanos e rurais, empréstimos financeiros com partes enviadas para mares nunca dantes navegados, compras de votos e mil e uma xerecalidades cuidadosamente escondidas dos cônjuges, fotógrafos, motoristas, leões de chácara e demais piniqueiras insatisfeitas.

3. Depois das gravações, o intermediário tirou quatro cópias. Três delas foram enviadas para jornais de grande circulação nacional (FSP, Estadão e Globo) e uma quarta foi remetida para um político grandão do passado republicano recente, ainda travestido de Messias, apesar da Madalena já ter assumido o comando das funções primeiras da Nação, sem doses etílicas, nem fingimentos desvairadamente mentirosos, ainda que algumas vezes mais braba que o costume, com broncas espetaculares que deixam ministros amplamente demandando Imosec, um remédio tapa-tudo enquanto a musa engrossa, salvo o da Educação, chamado nas rodinhas do primeiro escalão de Merdaandante, dada sua subserviência comportamental explicitada na última paralisação das universidades federais brasileiras, onde todos perderam no frigir dos ovos, principalmente a juventude. 

4. Uma esposa fiel chamada Renilda já se encontra amplamente orientada em como proceder, caso aconteça algum “incidente” com o pai dos seus amados filhos ou se ele não der as caras após 24 horas de ausência não devidamente comunicada.

5. O conteúdo do vídeo, dizem quem o viu, seria capaz de fazer dirigentes ingerirem litros e mais litros de 51, sem tirar a boca do gargalo. E também aniquilaria reputações até agora tidas e havidas como ilibadas, enlameando tudo, bostificando personalidades classificadas de comportamento vestalino.

6. Um determinado japonês, catalogado como tesoureiro do antigo maior-de-todos,  já gastou uns seis ou oito pares de sapato, de tanto ir e vir atrás de gente capaz de acalmar o coração e a mente de um mineiro emputecido e endividado que não deseja ser o único urubu de uma trajetória repleta de gaviões emplumados, sabidórios de todas as naturalidades e de galinhas nada  empoleiradas.

O final da história ainda está sendo escrito. Além das fogueiras, as saúdes em recuperação de alguns personagens principais, um senhor chamado Sete de Outubro, uma madame de nome Conjuntura Internacional, além de outros pontos e contra-pontos que não podem ser depreciados de jeito maneira, fornecerão os insumos terminativos da trama. 

Uma advertência, porém, o enredo deixará para a história política do Brasil: as patifarias do passado jamais se repetirão. Porque uma cidadania mais atenta há muito tempo já se agiganta, as informações das redes sociais se multiplicam, a sadia imprensa falada e escrita sempre de olho vivo, o Congresso Nacional ampliando seu medo das urnas e a Justiça Brasileira não está mais querendo  jogar lixo para debaixo do tapete. Apesar dos Tófollis e Lewandovskis do pedaço. 

(Publicada em 23/09/2012, no Portal da Revista ALGOMAIS, Recife – PE) 
Fernando Antônio Gonçalves
 

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