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EM ATENÇÃO A NOHNOH
Uma solicitação de análise, feita por quem se assina Nohnoh, educado e atencioso leitor atento aos múltiplos escritos expostos no Jornal da Besta Fubana, sob a batuta editorial internética do Luiz Berto, o querido Papa Berto, me fez ler nesta semana finda o livro As Ideias Conservadoras – Explicadas a Revolucionários e Reacionários, de João Pereira Coutinho, jornalista e cientista político. Também professor da Universidade Católica Portuguesa e colunista da Folha de São Paulo, coautor de Por que virei à direita, editado recentemente pela editora Três Estrelas.
 
O texto exposto na última capa já é por demais elucidativo: “Em um país de democracia recente e marcado historicamente por ditaduras como o Brasil, o pensamento político conservador costuma ser associado ao autoritarismo e à supressão das liberdades individuais. O audacioso objetivo deste livro é desfazer esse equívoco e apresentar ao leitor as ideias conservadoras, que não se confundem com doutrinas reacionárias. Para o jornalista e cientista político João Pereira Coutinho, o conservadorismo  é o modo de a sociedade preservar o melhor que, com base na tradição democrática, ela criou para  garantir a paz, a liberdade dos cidadãos e o vigor das instituições. Com linguagem clara e envolvente, o autor expõe o pensamento dos principais filósofos conservadores, ao mesmo tempo que tece uma reflexão política de importante significado para a atualidade. Contra radicalismos crescentes à direita e à esquerda, Coutinho defende o primado da lucidez e do equilíbrio”.
 
Logo de início, o autor explicita que “o conservadorismo não existe. Existem conservadorismos, no plural, porque plurais foram as diferentes expressões  da ideologia no tempo e no espaço”. Da mesma forma que existem socialismos e cristianismos dos mais diferenciados matizes, cada um deles sob influências culturais as mais contextualizadas. E o próprio autor, quando revela a existências de conservadorismos, alerta que o seu ensaio se filia à tradição conservadora britânica, tomando como base a obra antirrevolucionária de Edmund Burke (1729-1797) Reflexões sobre a Revolução na França, que legou alguns princípios gerais que sobreviveram aos “testes do tempo”, muito embora reconhecesse que “se uma grande mudança é para ser feita nos assuntos humanos, as mentes dos homens adaptar-se-ão a ela, as opiniões e os sentimentos confluirão para esse destino”.  
 
O conservador tem uma caricatura habitual: o reacionário. Que pode ser definido como aquele  que “à medida que o tempo passa, distancia-se cada vez mais de qualquer sociedade real que tenha existido no passado”. E concordo plenamente com o Coutinho: “o conservadorismo político recusa os apelos do pensamento utópico, venham eles de revolucionários ou reacionários”.
 
No meu não especializado modo de pensar, caro Nohnoh, imagino que de conservadores, revolucionários e reacionários todos nós temos um pouco, a depender de alguns fatores que compõem nosso interior, tais como o medo, o ambiente cultural, o nível de solidariedade, a educação familiar, os ressentimentos, o quociente emocional, a tesão existencial, o caráter, a moral, a ambição, a inveja, o nível de renda, a faixa etária, a religiosidade e as influências utópicas apreendidas nos derredores comunitários ao longo da vida. 
 
Um texto recentemente editado, Cegueira moral: a perda da sensibilidade na modernidade líquida, de Zygmunt Bauman e Leonidas Donskis, editora Zahar, 2014, um livro que “é um diálogo sobre uma possibilidade de redescoberta do sentimento de pertencimento como alternativa viável à fragmentação, atomização e à resultante perda de sensibilidade”, contém uma reflexão oportuna do próprio Donskis: “Na era do Facebook, em especial após a Primavera Árabe, tornou-se óbvio que os partidos políticos só sobreviverão até o próximo século, ou talvez só até a segunda metade do século XXI, se começarem a agir como os movimentos sociais e se ligarem a eles. De outra forma correm o perigo de se tornar irrelevantes e inúteis”.
 
Não sendo marxista, embora social-democrata, abomino a violência, estou convencido de que a homossexualidade é um tipo de sexualidade, que todas as manifestações religiosas são merecedoras do mais amplo respeito, nenhuma sendo superior às demais, que o ateísmo deve ser acatado pelos não-ateístas, que as mulheres são tão importantes quanto os homens. Aceito o aborto na forma da lei, droga devendo ser combatida ferozmente a partir dos que a comercializam e como um problema de saúde pública em relação aos usuários. Sou defensor da evolução tecnológica mas radicalmente opositor da tecnocracia, pedófilos merecendo prisão perpétua. Divorcista convicto, acredito que o Criador é uma Energia Infinita, não antropomórfica, e adepto da existência de Vida após a morte. Helderista de carteirinha, sou paulofreireano como educador, defendendo a Educação Básica de Tempo Integral para toda Gente Brasileira, de norte a sul do país, detestando o puritanismo, o moralismo, a hipocrisia, a demagogia, o cretinismo, a insinceridade, o fingimento e o farisaísmo. E sou um cristão transecumênico por derradeiro, sempre apaixonado pelo Homão da Galileia, aquele que me ensinou, pelos meus pais, a possuir simplicidade, sempre abjurando os “humildes” por abestalhamento e oportunismo. 
 
(Publicada em 15.09.2014, no Jornal da Besta Fubana, Recife, Pernambuco)
Fernando Antônio Gonçalves
 

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