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EDUCAÇÃO SEM VEXAMES
Parabenizando pela sua dinâmica gestão, recomendaria ao secretário Tadeu Alencar, Casa Civil de Pernambuco, um homem público sempre atento às necessidades do Conselho Estadual de Educação de Pernambuco, uma instituição que muito está a depender do seu empenho decisório, a leitura do livro Basta de Histórias!, do jornalista Andrés Oppenheimer, ganhador do prêmio Pulitzer. 

Oppenheimer faz algumas perguntas incomodatícias sobre a conjuntura atual: Por que o Brasil registra cem patentes por ano e a Coreia do Sul 8.800?  Por que México e Brasil encontram-se dentro das 12 maiores economias do mundo, ambos com apenas uma universidade no ranking das duzentas melhores do planeta, a mexicana? E acrescenta uma outra devastadora: É saudável essa obsessão dos países latinoamericanos em querer comemorar os bicentenários das suas independências gastando milhões de dólares, quando se poderia investir essa fábula no aperfeiçoamento de uma educação voltada para a ciência, a tecnologia e a inovação?

No livro, Oppenheimer conta um fato que é retrato fiel da latinoamérica. Quando perguntou a Bill Gates, certa feita, o que achava da crença bastante difusa em países latinos de que “nossas universidades são excelentes” e “nossos cientistas triunfam na NASA”, o fundador da Microsoft olhou para ele com ar de assombro e caiu na gargalhada.  E ressaltou que é necessário para a América Latina uma boa dose de humildade para aquilatar com realismo a situação de suas universidades. Arrematou: “Se acharem que alcançaram a meta, estão perdidos!!”. E ainda disse que o que é para ele espantoso é o nível de humildade da China, diferentemente das posturas triunfalistas de algumas autoridades latinas, que se imaginam acima das críticas, por mais magníficas que possam ser. Posicionam-se muitas léguas diante de uma reflexão do geógrafo Milton Santos, talento baiano:  “O apego às velhas ideias parece uma enfermidade incurável. A coisa é tão grave que um observador sem preconceitos poderia mesmo julgar-nos por falta reiterada de imaginação. Caímos naquele defeito de considerar velhas formas de pensar como inevitáveis, o que tem gravemente impedido o desenvolvimento da ciência em geral. Ao invés de perseguir um saber novo, preferimos deliciar-nos com a reprodução do saber velho. Isto é possível pelas formas de cooptação que, embora diferentes segundo os lugares, terminam oferecendo os mesmos resultados, isto é, a canonização dos (velhos) modelos”.

Segundo Oppenheimer, são doze as chaves para uma consolidada alavancagem da América Latina: 1. Olhar mais à frente; 2. Fazer da educação uma tarefa de todos; 3. Inventar um PIB educacional; 4. Investir em educação pré-escolar; 4. Concentrar-se em formar bons profissionais; 5. Dar status social aos docentes; 6. Oferecer incentivos salariais; 7. Estabelecer pactos nacionais; 8. Favorecer uma cultura familiar da educação; 9. Romper com o isolamento educativo; 10. Atrair investimentos de alta tecnologia; 11. Criar uma educação internacional; 12. Erradicar a complacência, adotando uma mentalidade essencialmente construtiva.

No capítulo 4 do livro Basta de Histórias! , Oppenheimer identifica a Índia como um país que está se “transformando no cérebro do resto do mundo, criando não só empresas multinacionais de serviços de informática mas também de contabilidade, engenharia, diagnósticos médicos de raios X e todo tipo de serviço” ... Várias cidades indianas, lideradas por Bangalore, da noite para o dia haviam se transformado em centros mundiais de alta tecnologia”. E justifica: “Logo entendi por que Bangalore deveria ser visita obrigatória para todos os líderes latino-americanos. Há 1.850 empresas de informática nesta cidade de 5,5 milhões de habitantes, incluindo a nata das principais firmas de computadores do mundo, como Microsoft, IBM, Intel e suas concorrentes indianas, entre as quais Infosys, Tata Consulting e I-flex. Juntas, elas empregam 450 mil engenheiros, em sua maioria jovens, que são responsáveis pela maior parte dos US$ 23 BILHÕES anuais gerados pela Índia em rendas provenientes da informática”. 

O livro do Oppenheimer congrega inúmeras ideias alavancadoras, que desmacaram os provincianismos de uma América Latina que idolatra seus passados históricos sem buscar olhar para os amanhãs sociais e econômicos que a engrandecerá. Um livro arretado de ótimo para quem deseja ver um Pernambuco cada vez mais desenvolvido, sempre Leão do Norte!!!

(Publicada em 12/09/2011, no Portal da Revista ALGOMAIS, Recife – PE)
Fernando Antônio Gonçalves

 

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