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EDUCAÇÃO E CIDADANIA
Diante de um quadro nacional violentado por acontecimentos corruptos e corruptores, que amortecem os ânimos cívicos de milhões, vale a pena difundir alguns balizamentos que minimizariam os efeitos funestos das iniciativas de alguns bandidos engravatados. Até as eleições de outubro vindouro, ouviremos promessas mirabolantes, declarações bombásticas, denúncias estapafúrdias, histerismos tridentinos e coisas outras que tais. Tudo para angariar adesões “sufragatórias” dos mais descidadanizados, os atoleimados de sempre. 

Ouviremos falar em inflação zero, em novos e redentores esticamentos do São Francisco para matar a sede de milhões de sofridos irmãos nordestinos e na defesa radical da intocabilidade de setores produtivos públicos, daqueles que privilegiam “diferentes”, sempre avessos à salutar fiscalização democrática da sociedade civil. Emergirão esfuziantes defensores dos fracos e dos oprimidos, inúmeros deles oriundos de entidades que “fingem” lutar pela erradicação da miséria e da injustiça social, com isso assegurando polpudas remunerações, algumas delas advindas da generosidade estrangeira não-terceiromundista.
    Veremos candidatos com criancinhas no colo, outros cercados de eleitores devidamente apetrechados com quentíssimas “palavras de ordem”. E pretendentes com esposas e filhos em fotografias de sofá grande, domingueiramente paramentados. Os mais piedosos, rezando e pedindo a Deus pela paz e felicidade ... dele, nas urnas. Outros divulgando listas de entusiásticas adesões e confraternizações com gente humilde, se possível da classe mais desdentada possível. 

Por outro lado, complementando o cenário da disputa eleitoral, o festival de denúncias deverá ser antológico, tudo devidamente ampliado pelos meios de comunicação menos independentes. Não faltarão entrevistas, divulgadas em revista de circulação nacional, de especialistas em práticas amorais, imorais e indecentes, oferecendo serviços para quem der mais, ideários à parte, sem qualquer importância. Um parrapápá esculhambatório de fazer inveja aos mais especializados procurará escandalizar gregos e troianos: fulano deu a todo mundo quando era pequeno, foi expulso do colégio porque foi visto “praticando” com um colega na banca de estudo, sicrano tem mulheres e filhos fora dos registros cartoriais, beltrano bebe que nem um gambá, seu isso se meteu em maracutaias mil, seu aquilo não sabe nem falar direito a língua pátria, seu aquiloutro tem um vice quase-quase, seu futreco já arriou as calças para ordenanças da ditadura, o irmão dele tendo esbofeteado o pai e cuspido na mãe em plena luz do dia dela.  

Para apimentar o caldeirão eleitoral, também pintarão no pedaço dois personagens por demais conhecidos dos mais experientes: o messias e o anselmo. O primeiro, prometendo mundos e fundos. O segundo desejando ver o circo pegar fogo, para nas chamas se esvair a nossa ainda incipiente trilha democrática, edificada por milhares de abnegados. O primeiro, pau-mandado de graúdo, se encarregando de “sujar” tudo que não se encontra sob o taco do seu amo, do lado de lá ninguém prestando. O segundo, sempre aparentando ser o mais revolucionário, o mais gota serena, com a tarefa verminosa de fingir caminhar para a frente, sem jamais transparecer estar a serviço de retrocessos bestiais. Dois manjadíssimos filhotes bastardos de gorila, desservindo à cidadania brasileira.

O jornalista Gilberto Dimenstein oferece “dicas” memoráveis. Eis algumas, escolhidas ao acaso, após leitura atenta de um texto daquele consagrado jornalista: 1. Eleição é assunto sério; 2. Devemos manter sempre uma atitude crítica; 3. Só aprende quem tem dúvidas: 4. O fundamental é desconfiar; 5. Quanto mais seguro e preparado, mais claras são as ideias do indivíduo: 6. Tentar aprender com outras pessoas é uma demonstração de inteligência; 7. Apenas os desinformados e os tolos caem no conto da varinha mágica; 8. Mais cedo ou mais tarde os truques mandam a conta; 9. Uma das melhores formas de aprender é errar; 10. Desconfie, mas desconfie mesmo, dos donos da verdade, de gente que imagina saber tudo.

Regras de ouro para quem busca assegurar as futuras governabilidades municipais, sair de um atoleiro social de muitos anos, neutralizar as histerias dos cavilosos e contribuir para a aceleração do país na direção de estruturas menos aviltantes. Sempre com as duas mãos e o sentimento do mundo.

PS. Neste sábado último fui me despedir de um amigo querido, no Tribunal de Justiça: o desembargador Romero de Oliveira Andrade. Sua eternização muito jovem, em plena Semana Santa, ampliou a certeza da ressurreição de todos nós no final dos tempos.

(Publicada em 09.04.2012, no Jornal da Besta Fubana (www.luizberto.hotmail.com) 
Fernando Antônio Gonçalves

 

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