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ECUMENISMO E FUXICARIA
 Possuo admiração pelos que buscam a unidade de todos os Filhos de Deus, numa luta comum contra a fome, a miséria e a violência. Que atemorizam os que possuem e os que nada amealham. E concordo integralmente com Dom Pedro Casaldáliga, um bispo que dignifica o Evangelho, pondo o Direito Canônico no seu lugar devido: “Tudo é relativo, menos Deus e a fome”. E aplaudo Jean Ziegler, no relatório da ONU sobre alimentação: “De fome morrem cem mil pessoas por dia, e a cada sete segundos uma criança de menos de dez anos. E como a fome pode ser superada, uma criança que morre de fome, hoje, morre assassinada”. E sinto asco por todos aqueles que buscam encontrar cisco nos olhos de seus irmãos de caminhada para denunciá-los às Santas Inquisições da vida, desapercebendo-se, porque mais voltados para a Lei do que para a Graça, das suas imensas traves mentais, que os tornam menos pastores e mais capatazes ansiosos para agradar com delações à chefia maior. Sentem com isso um prazer não-humano em apontar defeitos de auxiliares aos superiores, desatentos, porque quase bonecos de barro, das tarefas libertadoras que envolvem questões basilares de todo planeta. Pobres de espírito, não possuem criticidade diante dos poderes de plantão, sempre obcecados em não perder, se é que é possuidor, a liderança sobre alguns superados.
 Diz o teólogo Paulo Suess que “a primeira pobreza é não conhecer o Cristo e não conhecê-lo de modo adequado, autêntico e integral”. E conhecer o Cristo integralmente é saber estar convencido de que nem as pílulas de Frei Galvão, recentemente tornado santo, nem a missa em latim, ajudarão nosso povo no conhecimento autêntico da fé no Filho de Deus.
A reflexão do teólogo Hans Küng, em seu livro Religiões do Mundo, Verus, 2004, é por demais alertadora: “Muitos europeus perderam a esperança no cristianismo, desenganaram-se dele. Voltaram as costas para as igrejas. Identificam o cristianismo com burocracia e pompa, com a ditadura, com a hostilidade à mulher e ao sexo, com a igreja oficial autoritária e incompreensiva...”  
 Os adeptos do dura lex sed lex, sem qualquer compromisso com a alegria e a confraternização de irmãos cristãos, ainda não se deram conta de que o cenário é pós-confessional. E que o modelo mais cativante é o que busca refletir uma comunidade mundial ecumênica multicultural e multireligiosa, a combater os estreitamentos humanos, a favorecer a participação igualitária das mulheres, sempre ressaltando uma gigantesca tarefa, a de promover, muito acima de artigos, parágrafos e alíneas feitas pelo ser humano, uma nova ordem mundial, onde desponte uma realidade espiritual voltada radicalmente para o bem estar do ser humano todo e de todos os seres humanos.
 O teólogo Hans Küng está coberto de razão: “não haverá sobrevivência da humanidade, sem paz entre as nações; não existe paz entre as nações sem paz entre as religiões, nem paz entre as religiões sem diálogo entre as religiões”. 
 O Cristianismo de todos os naipes necessita de uma ampla reforma, cada denominação olhando as demais como parcela, seguindo o deixado pelo evangelista São Mateus (7,12). Acredito visceralmente na ultrapassagem dos obscurantismos, dos fundamentalismos e dos fuxiquismos atuais que a nada conduzem. Creio firmemente numa cultura de não-violência e do integral respeito à vida. Numa cultura de parceria. Numa cultura de ampla solidariedade e justiça. Numa cultura de tolerância e muita veracidade.
 Continuo anglicano paulinamente helderista, percebendo-me inconcluso. E fico a imaginar o comportamento dos fuxicosos diante da advertência paulina sobre a necessidade de renovar as mentes, tendo a mesma atitude uns para com os outros.
Somos cooperadores de Deus, independentemente de carteirinha religiosa. Com a Graça, jamais com a Lei e a Inquisição, que de santa não tem patavina. 
 

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