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DUAS RECOMENDAÇÕES
 1. FÉ, FATOS, FALSIFICAÇÕES
Acontecimentos com mais de dois mil anos, verificados na Judeia, ainda fascinam seres humanos dos quatro quadrantes do planeta, em pleno século XXI, crentes e não crentes. A bibliografia sobre os fatos e feitos  que revolucionaram o mundo é repleta de pesquisas sérias, baboseiras mil, infantilismos e enganações. Textos que fazem refletir, leituras investigativas ecumênicas e escritos teologais transecumênicos são muitas vezes preteridos pelos que, leitores ainda dotados de uma transitividade ingênua, a la Paulo Freire, buscam escritos  anestésicos, ilusórios ou que prometem mundos e fundos financeiros, deixando milhões de abobados sem eira nem beira, inclusive salvacionista, a mercê da misericórdia do Alto. Enquanto muitos “sabidos evangelizadores” se tornam podres de ricos.
 
Confesso que muitos livros fingidamente religiosos me enfastiam rapidamente, me dando a certeza de uma desenvagelização crescente acontecem nas mentes menos críticas, aquelas que “falam como criança, pensam como menino e raciocinam como menino” (1Co 13,11), nunca se deixando resvalar para uma maturidade religiosa cativante, bem sedimentada, século 21.
 
Para os paulinamente amadurecidos, os “convictos em suas próprias  mentes” (Rm 14,5), portadores de vários tipos de dons e ministérios, embora o Espírito seja o mesmo (1Co 12,4), uma leitura fascinante foi lançada em junho passado pela editora Fontanar, São Paulo. Trata-se de Em Busca de Jesus: Seis Relíquias que Contam a Notável História dos Evangelhos, de David Gibson & Michael McKinley, o primeiro um jornalista premiado e também diretor de cinema, especializado na cobertura de temas religiosos. O segundo, também jornalista e cineasta premiado, ainda é roteirista para a CNN.
 
As pesquisas realizadas pela dupla foram as seguintes: João Batista: messias rival, ossos da discórdia; Ossuário de Tiago: a mão de Deus ou o crime do século?; Maria Madalena: prostituta, apóstola, santa ou esposa de Jesus?; O Evangelho de Judas: a maior novela policial do cristianismo; A verdadeira cruz: suficiente para encher um navio; e A mortalha e o sudário: Jesus da história, Jesus do mistério. Além de um ensaio introdutório denominado Quem é Jesus?, favorecendo um pano de fundo dos seis estudos efetivados.
 
Algumas iniciativas pitorescas são narradas, como as acontecidas com o arcebispo anglicano James Ussher, no século XVII, que através de complexos cálculos baseados na Bíblia, determinara a data da Criação: a noite que precedeu o domingo de 23 de outubro de 4004 a.C. E também a tradição islâmica que localiza a cabeça de João Batista na Mesquita de Umayad, em Damasco. Ou as contradições existentes sobre Madalena, que muitos a definem como uma rameira, e que era apóstola maior que os seguidores do Homão e companheira fiel de Jesus. Para não falar no Evangelho de Judas, considerado falso por uns e verdadeira boa nova para muitos outros.
 
O livro é muito bem escrito, sendo muito apropriado para mentes cristãs amadurecidas.
 
 
2. GUIA PARA O SÉCULO 21
Estou estudando sobre novas formas de espiritualidades, diferenciadas de muitas das atuais, descativantes por derradeiro. E um desafio surge, num mundo que anseia por mais amor e caridade, refugando os individualismos que subvertem vidas e felicidades, favorecendo um efetivo distanciamento do sagrado: o que será necessário para dar às pessoas uma vida espiritual mais poderosa que a oferecida pelas atuais denominações?
 
Um físico quântico, Amit Goswami, comentou o livro  O Futuro de Deus: um guia espiritual para os novos tempos, do médico hindu Deepak Chopra, editado pela Planeta, em fevereiro passado: “A luta contínua entre duas visões de mundo, uma religiosa e outra científica, tem confundido a mente ocidental. O Futuro de Deus é importante por duas razões: a primeira é desbancar os chamados céticos, pessoas como Richard Dawkins, que, ao que parece, não conseguem sequer distinguir os aspectos populares e os esotéricos da religião. A espiritualidade encontrou novos suporte na física quântica e em outros avanços recentes da ciência. A segunda razão para a importância do livro é que ele é realmente um guia confiável sobre como buscar Deus mesmo em tempos confusos”.
 
O livro do Chopra ressalta como Deus está evoluindo com a consciência da humanidade. Ele ressalta como um Deus sem ilusões é condição primeira e necessária para o bem-estar físico dos seres humanos, indo muito além dos dogmatismos em involução crescente. Destaca que o antigo modelo de Deus está sendo gradativamente posto de lado, quando  “a racionalidade, a experiência pessoal e a sabedoria de muitas culturas estão se unindo, a própria evolução humana dá um salto nas questões do espírito”. O Deus 1.0 está sendo substituído por uma nova versão, o Deus 2.0, no mundo ocidental, onde Ele é a interface entre você e a consciência infinita. E Chopra conclui: “Vivenciar Deus passa a ser a norma, nada espetacular como algum tipo de milagre, mas no sentido muito mais profundo de uma transformação”.
 
No livro, Chopra reproduz resposta dada por Einstein a alguém que duvidou que ele acreditasse em Deus: “Tente desvendar, com os nossos recursos limitados, os segredos da natureza e verá que, por trás de todas as leis e conexões discerníveis, permanece algo sutil, intangível e inexplicável. A veneração que transcende qualquer coisa que somos capazes de compreender é a minha religião. Nessa medida, posso dizer que sou um religioso”. O que Einstein reforçava era a ideia de que a busca por Deus não deve envolver a velha imagem de um patriarca sentando no trono, de vestes alvas e resplandecentes. Que externou numa frase famosa: “A ciência sem a religião é manca. A religião sem a ciência é cega”.
 
Excelente “leitura garimpeira” para tempos de braba crise de espiritualidade. 
 
(Publicada em 17.10.2016, no site do Jornal A Besta Fubana e no www.fernandogoncalves.pro.br) 
Fernando Antônio Gonçalves
 

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