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DITOS DO HOMÃO DE NAZARÉ
 Desde 1945, um texto vem sendo estudado com intensidade por teólogos das mais variadas vertentes. Dentre os cento e cinqüenta e três manuscritos encontrados no Alto Egito, encerrados em jarras de fermentar vinho doce, um deles, escrito na língua copta, é classificado como o Evangelho escrito por Tomé (gêmeo, em aramaico), de nome real Judas, um dos doze. Contém 114 pensamentos, que teriam sido recolhidos por ele, atribuídos ao Mestre, o Manso, o Vivente, o muito amado Homão de Nazaré.
 O Evangelho de Tomé é considerado, hoje, um documento valioso, sendo analisado sob três prismas. Para uns, trata-se de um escrito apócrifo, sem importâncias maiores. Um outro tanto considera-o um amálgama de palavras de Jesus, extraídas de tradições heterodoxas. Um grupo significativo, no entanto, considera o texto atribuído a Tomé como um documento evangélico que reproduz palavras do Rabino Judeu, tomando-o como fonte alimentadora dos evangelhos ditos canônicos. Segundo o brasileiro Roberto Crema, um dos expoentes do Colégio Internacional dos Terapeutas, trata-se de “uma surpreendente coletânea de sentenças impactantes, seminais, enigmáticas às vezes, prenhe de vastos sentidos, talvez as sentenças originais da fonte de sabedoria Crística e que, desde a sua descoberta, tem alimentado a escuta e inteligência de muitos sequiosos pela penetração e abertura de compreensão para os eventos e ensinamentos, redefinidores na história da humanidade, que transcorreram no palco crucial da Galiléia e Judéia, há dois mil anos”.
 Nos finais dos últimos anos noventa, os comentários feitos por Jean-Yves Leloup, um sacerdote hesicaste e orientador do Colégio Internacional dos Terapeutas, os 114 pensamentos do Evangelho de Tomé aguçaram em muitos a vontade de conhecer melhor as análises em torno do assunto, dada a condição do texto de ser “um documento vivo sobre o Ressuscitado”. Numa edição Vozes, o Evangelho de Tomé foi traduzido por Leloup, enriquecido com seus comentários primorosos. Uma leitura que somente poderá ter amplo proveito se bem assimilada uma sabedoria zen: “O maior obstáculo para aprender-se algo novo é a crença de que já se sabe”.
 Jesus nada escreveu. Daí jamais existir “palavras autênticas de Jesus”. Mas Leloup diz que “o ouvido de Tomé é, com toda certeza, menos judeu que o de Mateus, menos atento às narrações dos milagres do que o de Marcos, menos preocupado em ouvir a Misericórdia de Deus anunciada até mesmo aos pagãos do que o de Lucas. Interessa-se, sobretudo, pelo ensino transmitido por Jesus”.
 A primeira sentença do Evangelho de Tomé – Ele disse: aquele que vier a ser o hermeneuta destas palavras não provará a morte – merece análise de Leloup, assim concluída: “Jesus fez-se o  hermeneuta do Amor e da Vida, não só em palavras, mas verdadeiramente em atos. Fez exegese com sua carne e seu sangue, com seu sorriso e suas lágrimas; além disso , aqueles que tinham olhos para ver, viram n’Ele o Vivente”.  
  Toda a tarefa evangelizadora da Igreja deve possuir como método o serviço (diakonia), tudo se dando através de ministérios litúrgicos, ministérios de ensino e ministérios sócio-políticos. Para tanto, torna-se vital a adoção de  estratégias alavancantes capazes de, mediante alicerçada espiritualidade missionária, continuar anunciando as Boas Novas, sempre capacitando bons cabritos, nunca aturdidas ovelhas. 
 O livro de Jean-Yves Leloup fortalece os atributos indispensáveis de um evangelizador: crença em si mesmo, nível razoável de dúvida, paixão pelo trabalho, consciência de outras realidades, amor pelas pessoas e capacidade para a solidão. Atributos sementeiros de uma espiritualidade fazejadora, nunca abestalhante. Consistindo a primeira numa irrestrita crença desmitificadora em Jesus de Nazaré, edificada através de um apostar resoluto e sem desatinos na utopia de uma humanidade integralmente reflexa da Criação.

 

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