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DESPERTAR URGENTE
O fato aconteceu muito recentemente e se encontra documentado em texto amplamente divulgado nas áreas comunicacionais. E o narrado deve servir de alerta para nós, brasileiros de todos os naipes, que se imaginam sempre deitados eternamente em berço esplêndido, distanciados de uma dinâmica societária onde torna-se cada vez mais imprescindível uma férrea vontade política, comprovada competência técnica, arraigada cidadania comprometida com o social e uma doses gigantescas de criatividade compartilhada.

Em setembro de 2010, o jornalista Thomas Friedman, colunista de relações internacionais do The New York Times e vencedor de três prêmios Pulitzer, compareceu à conferência de verão do Fórum Econômico Mundial, em Tianjin, China. Na Estação Ferroviária Sul de Beijing, de instalações ultramodernas em forma de disco voador e com um telhado de 3246 painéis solares, embarcou num trem de alta velocidade até Tianjin. O trem-bala chinês é considerado o mais rápido do mundo, percorrendo 115 quilômetros em apenas 29 minutos. E ele ficou impressionado com uma informação recebida: a construção do referido Centro de Convenções, de 230 mil metros quadrados, foi iniciada em 13 de setembro de 2009 e concluída em maio de 2010. Em apenas oito meses.

Retornando ao seu lar, em Maryland, Friedman constatou que as escadas rolantes da estação de Bethesda, onde o Washington Metrorail o levava ao trabalho no centro de Washington D.C. estavam em reparos havia quase seis meses! E foi então que ele se espantou: “por que a empresa de construção civil Teda, da China, levou 32 semanas para erguer um centro de convenções excelente a partir do zero – incluindo gigantescas escadas rolantes em cada canto, enquanto o pessoal do metrô de Washington estava levando 24 semanas para reparar duas escadas rolantes minúsculas, de 21 degraus cada?”.

Entretanto, a resposta que mais inquietou o famoso jornalista partiu do usuário Benjamin Ross que utiliza o metrô diariamente: “Minha impressão, quando fico aqui na fila, é que as pessoas se acostumaram com isso”. Deixando nele a sensação de que “os melhores dias dos Estados Unidos ficaram para trás e os melhores dias da China estão à frente” estão se tornando assunto diário entre norte-americanos comuns. Em outras palavras: a Grã-Bretanha dominou o século XIX, os Estados Unidos controlaram o XX e a China reinará suprema no século XXI.

Aturdido, profundamente incomodado, Friedman juntou-se com Michael Mandelbaun, PhD por Harvard e atualmente diretor e professor de política externa do Instituto de Estudos Internacionais Avançados da Universidade John Hopkins, os dois lançando Éramos Nós – A Crise Americana e Como Resolvê-la, divulgado no Brasil em maio passado pela Companhia Das Letras. Uma leitura que necessita ser urgentemente efetivada pelos mais diferenciados níveis e segmentos decisórios da educação brasileira, atualmente em expansão quantitativa, embora num sofrível ritmo qualitativo. Não atentando para um mercado de trabalho que principia a  somente recrutar “funcionários capazes de pensar criticamente, de enfrentar tarefas complexas não rotineiras e de trabalhar de forma colaborativa com equipes localizadas em seus escritórios ou globalmente”.

O livro traz alguns dados inquietantes: a) a dívida nacional total norte-americana, de 5,6 trilhões de dólares em 2001, saltou para 14 trilhões em 2011, com perspectiva de aumentar para 16 trilhões ao final deste ano. Segundo cálculos do professor Kenneth Rogoff, da Univesidade de Harvard e ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, “juntando as dívidas dos governos locais, estaduais e federal, atingimos o nível mais alto de todos os tempos: acima de 119% do PIB”; b) atualmente, um em cada quatro estudantes do ensino nos EEUU abandona o curso ou não se gradua em tempo normal; c) apenas um quarto dos graduados no ensino médio está preparado para ingresso numa faculdade; d) empregos bem remunerados não advém de socorros financeiros, mas sim de empresas pioneiras, criadas por empreendedores inteligentes, criativos, inspirados e comprometidos com o futuro do país, para isso só existindo duas estratégias: ampliando a qualidade do sistema educacional ou recrutando imigrantes talentosos.

As palavras de Arne Duncan, secretário da Educação poderiam servir de alerta preventivo  para todos os dirigentes do Brasil XXI, hoje meio atarantado com a crise planetária: “Éramos os reis do mundo. Mas nos desencaminhamos. Repousamos sobre os louros da vitória [...] não parávamos de contar a nós mesmos tudo que fizemos ontem e vivíamos no passado. Acabamos nos tornando letárgicos e vivendo de nossa reputação”.  

É chegada a hora de todos se incluírem mais efetivamente entre os responsáveis pela cidadanização dos brasileiros. Para pressionar por uma escola pública de qualidade, também disseminando campanhas contra os votos brancos e nulos nas próximas eleições, posto que eles serão os retratos perfeitos da covardia e da omissão, da incapacidade de reagir diante das engabelações dos que se proclamam “defensores do povo”, “das bases”, “a serviço de Deus” e mil e outras baboseiras.

(Publicada em 11/06/2012, no Portal da Revista ALGOMAIS, Recife – PE)
Fernando Antônio Gonçalves

 

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