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DESOPILAÇÃO DA MODA
 Os tempos internéticos de agora têm proporcionado uma notável ampliação dos conhecimentos técnico-científicos, a multiplicação de “talentos cibernáuticos”, a mundialização de algumas idiotices e a aparição de umas tantas vaidades dinossáuricas, para não falar das raboazudas que saem dos reality shows para explicitar suas saliências nas revistas famosas. Mais ou menos idênticas a daquele recém aloprado sulista que está inserindo na rede Internet capítulos e mais capítulos de sua tese de como ampliar o bilau sem qualquer procedimento ciúrgico, tudo patrocinado por uma fábrica de elástico. A intenção do “inventor” era ser reconhecido pelos orientais e, se possível, aclamado como benfeitor no país do Sol Nascente.
 Mas a maior alegria na Internet está acontecendo com a emersão de centenas de taglines, pequenas frases que revelam trocadilhos, diálogos, gozações e desmoralizações com ideários tidos e havidos como tradicionais ou de eterna eficácia.
 Classifiquei uma vintena de taglines, para proporcionar ao amigo leitor uma avaliação acerca da criatividade brasileira, apesar de todos os pesares e desatenções educacionais possíveis, e de um Congresso Nacional em estágio latrinoso. Ei-la:
 1. Não há nada no escuro que você possa ver; 2. Mulher é um conjunto de curvas capaz de levantar um segmento de reta; 3. Parte do automóvel que é vendida no Egito: os faraóis; 4. A ejaculação precoce era conhecida na Antiguidade como mal que mela; 5. Nunca ligou para dinheiro, quando ligou estava ocupado; 6. Rouba dos ricos e dá aos pobres, além de ladrão é gay; 7. Barganhar: receber um botequim de herança; 8. Se barba impusesse respeito, bode não teria chifres; 9. Deus criou o homem antes da mulher para não ouvir palpites; 10. Já que a primeira impressão é a que fica, use uma impressora laser; 11. Abelha morre eletrocutada numa rosa-choque; 12. Estouro: bovino que sofreu operação de mudança de sexo; 13. Menstruação é ruim? Pior é quando ela não vem!; 14. A zebra disse pra mosca: você está na minha lista negra; 15. Se bebida curasse alguma coisa, cachaça tinha bula; 16. Tudo na vida é passageiro, menos motorista e cobrador; 17. Loira Gelada é só uma mulher esticada numa mesa do IML; 18. No dia que chover mulher, quero uma goteira em cima da minha cama; 19. Meu gato morreu em miados do ano passado; 20. Virgindade é que nem picolé: acaba no pau.  
 Homenageio, transcrevendo as taglines acima, um notável pesquisador, pioneiro na coleta do que havia de mais pitoresco em para-choques de caminhão: Marcos Vinicios Vilaça, hoje personalidade consagrada nacionalmente, um dos mais notáveis presidentes da Academia Brasileira de Letras. Em publicação editada pela Fundação Joaquim Nabuco, então Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, ele revelou ao país inteiro, em 1961, a criatividade e o humor, as ironias e as farpas dos caminhoneiros brasileiros, uma das alavancas da integração nacional norte-sul, leste-oeste: “Não sou pipoca, mas pulo um pouco”, “Cerveja só gelada, mulher só quente”, “Mulher e parafuso, comigo é no arrocho”, “Sem amar não se vive” e “Mulher feia e urubu, comigo é na pedrada”.
 As tiradas de ontem e as de agora, incluisve as presidenciais, algumas de gigantesca  comicidade, são sinais da vivacidade intelectiva de um povo, o brasileiro. Um povo criativo por excelência, pronto para desenvolver o seu território pátrio, se lhe derem vez, voz, chão e enxada. Que deseja ser mais seres humanos nunca desumanos,sem perder a ternura jamais.
 Da minha parte, consciente de que lamúrias e fofocas não resolvem problema algum, resta-me apenas encarecer as Graças do Pai, nunca olvidando a advertência feita pelo documento final de Medellin: “Não basta refletir, obter maior clareza e falar. É preciso agir. Esta não deixa de ser a hora da palavra, mas torna-se, com dramática urgência, a hora da ação. É o momento de inventar, com imaginação criadora, a ação a ser realizada e, sobretudo, levá-la a término com a audácia do espírito e o equilíbrio de Deus”.
 

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