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DEMISSÃO INJUSTA
O caso me foi contado pelo amigo-irmão Luís Admtec Ribeiro, um dos excelentes profissionais nordestinos, consultor de nomeada na área de sua especialidade, acontecido no norte brasileiro. Sem a identificação de todos os personagens, tintim por tintim, aqui tornados fictícios por uma prudente questão de recato.
 O fato aconteceu entre um executivo, mais de trinta anos de casado, ainda cheio de faro e sedução e a sua secretária, antiga estagiária da diretoria da empresa, um mulheraço de trinta e tantos anos, de ancas descomunais, parapeitos de excomungar os mais afoitos. Fatalidade ou imprecisão analítica, abestalhamento da terceira idade ou infantilidade geriátrica, o fato aconteceu, arrebentando de rir o cinturão dos mais expansivos e fundindo a cuca dos conquistadores menos ousados.
 Os dados complementares ficam por exclusiva conta da imaginaçào sempre nota mil dos leitores, “o caso eu conto como o caso foi”, aqui homenageando com a frase o meu já eternizado amigo Paulo Cavalcanti, comunistão dos bons, dignidade comportamental e coerência política até pelos adversários reconhecidas.
 No dia do seu aniversário, o dito executivo saiu para os escritórios da empresa com o diabo no couro. Acordou-se, tomou uma ducha, sacudiu fora o bagaço intestinal, barbeou-se no capricho, sorveu devagar um alentado copo de leite e ninguém da sua casa o cumprimentou pelos cinquenta e cinco anos de nascimento, naquela data. Nem a mulher, sempre enfezadinha e toda ai-ai-ai com seus intermináveis achaques menopáusicos, lembrou-se do seu niver. E nenhum abraço de ôi dos filhos, três, sempre ispertamente carinhosos às vésperas das mesadas. Nem da menina, a única, saliente toda, já fazendo Relações Públicas perto no Náutico Capibaribe. Até a empregada, vinte anos de casa, oriunda da fazenda dos pais, pau pra toda obra, vez por outra ainda prestigiada, esqueceu o natalício do patrão boa praça.
 No trajeto, mandando todo mundo praquele lugar, imaginou-se o último dos moicanos, rejeitado todo, pior que o José Sarney, na presidência do Senado. E com mais de mil estancou o carro no estacionamento pré-determinado, para ele reservado desde quando assumiu a direção maior do conglomerado empresarial.
 Destravada a porta do gabinete de trabalho, um “Parabéns, Dr!” de sopetão, gentileza pura, brotou dos lábios carnudos da danadona da secretária. E logo acompanhado de uma proposta mais demolidora que um teibei do Maguila antes do seu afolosamento total diante daquele americano gota serena: “Com um dia tão lindo como esse, poderíamos almoçar juntos, lá em casa, onde, já me antecipando, preparei uma galinha cabidela do jeito que o senhor aprecia”. E pra fundir a cuca do chefe: “Não se preocupe, dispensei a mensalista, para que o senhor possa ficar lá sem qualquer perturbação”.
 O resto, o leitor já pode reconstruir. Meio-dia e meia, residência da boazuda, casal já na segunda dose escocesa, a frase atração fatal: “Dr. Fulano, acho que vou até lá dentro colocar algo mais confortável. Volto já. Fique à vontade”. A ordem foi cumprida mais que escoteiramente, num décimo de minuto, até às meias, a vela mestra tornada como nunca entusiasticamente desfraldada, a tremular viagradamente mais que bandeira hasteada em dia de feriado oficial.      
 E eis que de repente, não mais que de repente, a secretária retorna, nas mãos um bolo repleto de velinhas acessas, cantando um entusiasmado parabéns-pra-você, com a mulher e todos os filhos do executivo,  e alguns sobrinhos, para quem estava ali carecendo de todo apoio...
 Da minha parte, já passei até um telegrama de solidariedade para a coitadinha da secretária demitida.  
 

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