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DASPU, COM TODO RESPEITO
 Para que não se imagine maliciosamente que se está bajulando as que entrarão primeiro no reino de Deus, precedendo todos os demais bonzinhos, atribuo uma criatividade desconcertante à equipe que bolou a grife Daspu, no Rio de Janeiro, sem desejar imitar quem quer que seja, desejando apenas alertar uma sociedade, a brasileira, para uma demanda crescente, desde que mundo é mundo e Adão foi apelidado de Primeiro Homem.
A grife muito bem bolada diferencia-se integralmente de qualquer outra metida a semelhante, posto que pu pode indicar publicidade, pureza, pupila, puberdade, público, pudenda, pujança, puçanga, pucela e pulação, entre tantos outros vocábulos que compõem nossa mui rica língua portuguesa. Se prestarmos bem atenção, verificaremos que a grife Daspu pode se transformar num excelente nicho mercadológico também para uma clientela ainda não-explícita, embora embarcada na mesma canoa, todas filhas da Criação, emblematizadas pela Eva, aquela que, teoricamente, pela vez primeira, deixou Adão em ponto de bala, ficando a cobra com água na boca, toda babada.
Por outro lado, se analisarmos sem discriminação de espécie alguma, a terminação lu, eis que ela pode muito bem exprimir lubricidade, luado, luchar, ludreiro, luculo e lucífugo. Tudo tendo a ver, no frigir dos ovos e esfrega das carnes, com o cotidiano dos posados taludos, posto que em muitos banquetes os comes e bebes são de tamanha monta que terminam emporcalhando os ambientes luxuosos, enlameando destacadas re(puta)ções,  ampliando lamaçais e denegrindo a parte notívaga dos bem situados, portadores de altas contas correntes, nada tendo a ver uma terminação com a outra, a pu, embora todas as paralelas terminem se encontrando no infinito, no ômega do Chardin, o antropólogo jesuíta até hoje cientificamente muito respeitado.
Tem-se como certo que ambas as terminações, a Lu e a Pu, devem ter aflorado após intensivos debates, uns efetivados durante a luz do dia, outros acontecidos nas caladas das noites, todos revestidos de muita tesão, as línguas soltas e os dedos das mãos em alta voltagem, num frenesi contínuo, anotando tudo, de cima até embaixo e vice-versa, cara e coroa, frente e verso, sob sussurros mil e suspiros de todos os naipes e gêneros.     
 A disputa mercadológica entre a Daspu e a Daslu deverá balizar outras iniciativas: a Dasbi, a Dasfu, a Dasvi, a Daspuc, a Dasgov, a Daspetro, a Dasvip, entre tantas maneiras de Das de um jeito ou de outro. Todas de pessoas muito boas, até no pior sentido da palavra, como  dizia Mark Twain, um ardoroso combatente das regras sem significado, também um humorista, ficcionista, jornalista, empreendedor comercial e ferrenho crítico das mudanças sociais para pior acontecidas nos Estados Unidos. Seu livro Patriotas e Traidores, recentemente editado no Brasil sob a orientação da professora Maria Sílvia Betti, da Universidade de São Paulo, deveria ser leitura construtivista para os que se acostumaram a prestar atenção aos mais, pouco se lixando para os menos que principiam a não aceitar mais suas condições de excluídos.
Claro que em nenhuma Das haverá a presença dos puritanos, aqueles que “possuem um medo obsessivo de que alguém, em algum lugar, seja feliz”, definição felicíssima do jornalista H.L. Mencken, uma das mais consagradas mentes críticas estadunidenses, que seguramente rolaria e deitaria em cima dos costados daqueles que proibiram a Daniela Mercury de cantar num grande evento europeu, pelo simples fato dela participar de campanhas pelo uso da camisinha. Os mesmos que seriam clientes da Dasbo, o bo aqui representando os bobões que não se sensibilizam com a morte de milhões de seres humanos pela DST, em nome de uma moral tridentina, fétida sob todos os prismas.
Sejamos mais humanos. Que a Daspu seja exemplo de empreendedorismo gostosamente orgásmico. A preços módicos, naturalmente.
 

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