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DAS RELIGIÕES
 Quando ouço alguém se vangloriar, dizendo que sua religião é melhor, sinto uma vontade imensa de dizer a ele o que Trevor Ling, professor de Religião Comparativa da Universidade de Manchester, costuma proclamar: “Diz-se que nenhum homem é tão orgulho da sua própria religião como aquele que não conhece outra.” E vai mais além: “Também se pode dizer que ninguém é mais hostil a todas as religiões do que o céptico ocidental que não conhece outra tradição além da do Ocidente”.
 
E ofereceria ao distinto fundamentalista uma reflexão do historiador das religiões Frédéric Lenoir, cujos livros já foram editados em mais de vinte idiomas:  “Deus surgiu tardiamente na história da humanidade. O ser humano existe há vários milhões de anos, mas a arqueologia mostra que as primeiras representações de divindade surgem há apenas 10 mil anos. ... E a propósito dos monoteísmos judeu, cristão e muçulmano, tal noção nasceu no Egito, no século XIV antes da nossa era, sob o reinado do faraó Amenhotep IV”. Confirmado em Israel, como culto a Javé, e na Pérsia, como culto a Ahura Mazda.
 
Recomendaria quatro livros que ampliaram o discernimento de muitos, inclusive o meu:
- O livro das religiões, vv.aa., SP, Globo Livros, 2014, onde está contida a afirmação de Albert Einstein: “Todas as religiões, artes e ciências são ramificações da mesma árvore”.

- Religião – Pequeno livro das grandes ideias, Dr. Jeremy Stangroom, SP, Ciranda Cultural, 2008. Um texto que ajuda a apreciar o mérito dos fundadores dos credos religiosos, tornando-nos familiarizados com conceitos e ideias-chave, bem como com o desenvolvimento das maiores crenças religiosas.

- As grandes religiões: temas centrais comparados, Burkhard Scherer (org), RJ, Petrópolis, 2010. Setenta e cinco temas centrais comparados das grandes religiões, com um índice alfabético, abrangendo história, ética, doutrina, sociedade e vida prática. Leitura clara e objetiva sobre as cinco religiões predominantes do mundo contemporâneo: judaísmo, cristianismo, hinduísmo, budismo e islamismo.
- Deus – sua história na epopeia humana, Frédéric Lenoir, RJ, Objetiva, 2013. Questionamentos vários são analisados com ampla seriedade, entre os quais: Deus é uma força, uma pessoa, uma energia, um princípio criador?; o Deus dos judeus, cristãos e muçulmanos é o mesmo?; Existe ateísmo fora da cultura ocidental?; há futuro para Deus?; por que a misoginia (ódio ou aversão às mulheres) das religiões?; Quem são os fundadores do ateísmo moderno?.
 
Para todos aqueles cristãos que adoram o Homão da Galileia como Irmão Libertador, uma leitura inadiável: Um Novo Cristianismo para Um Novo Mundo, de John Shelby, bispo episcopal anglicano de Newark, EEUU, por 24 anos, aposentado em 2000. Uma edição da editora Verus, SP, 2006. Reflexões perturbadoras, numa conclamação para que o ser humano abandone suas preocupações tribais e hierárquicas, renegando o cristianismo como instrumento de poder.
 
(Publicado no Jornal do Commercio, Recife, Pernambuco, 30.08.2014
Fernando Antônio Gonçalves
 

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