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BRISA REFRESCANTE
Há alguns dias, o Instituto Humanitas Unisinos, RS, através do seu Notícias Diárias, divulgou uma  análise do teólogo Faustino Teixeira sobre um texto que analisava Jesus, por ele considerado reconfortador. E que lhe tinha proporcionado uma renovada perspectiva evangélica, neste “inverno eclesial” que estamos vivenciando nas denominações religiosas cristãs: insulamento dogmático, fechamento aos outros, sedução fundamentalista, pedofilia, descativações, carreirismo, sede de poder, vaidade. Que está provocando entre os jovens um clima de desconfiança no potencial transformador das igrejas, desilusões fundadas em argumentos consistentes. Ratificando o desencanto do filósofo italiano Gianni Vattimo, explicitado no jornal espanhol El País, 01/03/2010: “em muitos aspectos da vida atual, as religiões já não contribuem com uma existência humana pacífica nem representam um meio de salvação. São, na verdade, um poderoso fator de conflito em momentos de intercâmbio intenso entre mundos culturais diferentes.

Os comentários feitos pelo Teixeira sobre o livro Jesus Uma Abordagem Histórica, do teólogo espanhol José Antonio Pagola, 73 anos, me cativaram de pronto:  “o livro de Pagola surge como uma brisa refrescante nessa pesada conjuntura eclesiástica. Há que refletir sobre as razões do sucesso dessa obra, que em apenas seis meses conheceu oito edições. Vem responder a anseios abafados, a sonhos não concretizados e teimosas esperanças de um horizonte eclesial alternativo”. E denuncia: “Infelizmente, essa obra vem enfrentando duras resistências na Igreja espanhola”. ... “O argumento é conhecido: as presumidas deficiências doutrinais em torno da abordagem sobre Jesus e o seu afastamento da fé da Igreja. Vive-se hoje um clima de desconfiança diante da reflexão teológica, sobretudo quando ela ousa pensar o cristianismo de forma aberta e corajosa. Como assinalou o teólogo José Ignácio González Faus em artigo na revista Concilium (326 – 2008/3), ‘a Congregação para a Doutrina da Fé resvala hoje perigosamente para um monofisismo que, como já advertiu Rahner, é a vertente mais fácil para falsificar a fé na divindade de Jesus Cristo e está latente nas cabeças de muitos cristãos`”.

Graças ao empenho da Livraria Cultura, especialmente do Cláudio Rocha, um dos excelentes supervisores da filial Recife, já estou de posse de um exemplar do livro do Pagola, editado pela Gráfica de Coimbra 2, Portugal. Que ainda traz um suplemento do próprio autor, Uma explicação ao meu livro Jesus uma abordagem histórica, com uma nota à edição portuguesa de Valentim Marques, trazendo as seguintes informações:

a. Em 11 de abril de 2008, quando já se encontrava concluída a edição portuguesa do livro do Pagola, a editora recebeu da editora espanhola PPC a informação de que o autor, por iniciativa própria e também por sugestão de alguns leitores, desejou aclarar e complementar o seu pensamento.

b A editora portuguesa comprometeu-se a assim proceder, apenas remetendo, como oferta, 35 exemplares do livro para personalidades com formação superior, para análise e crítica, todos ficando alertados que a referida obra já tinha sofrido alguma polêmica em sua edição espanhola.

c. Arremata o signatário da nota à edição lusitana: “Este livro não é uma biografia, mas sim fruto de sete anos de investigação, em que se alia o rigor histórico a uma linguagem clara e acessível, resultando daí um relato apaixonante de actuação e da mensagem de Jesus de Nazaré que, partindo do estado actual da investigação, o situa num contexto social, económico, político e religioso a partir dos dados mais recentes”.

Segundo ainda Faustino Teixeira, “no início de sua obra, Pagola apresenta as razões de sua investigação histórica sobre Jesus. Sua motivação maior é captar ‘o segredo que se encerra nesse fascinante galileu, nascido há dois mil anos numa insignificante aldeia do Império Romano’. Lança a questão: ‘Quem foi esse homem que marcou decisivamente a religião, a cultura e a arte do Ocidente, a ponto de inclusive impor seu calendário?’”.  O referido teólogo ressalta com muita propriedade: “Em seu itinerário de defesa dos últimos, sublinha que o caminho que conduz a Deus passa, sobretudo, pela compaixão com os pequenos e excluídos. O código que marca sua vida é o da compaixão: sua experiência de Deus não leva à exclusão ou isolamento, mas à hospitalidade e acolhida. Assim o fez com os pecadores e publicanos, e também com as mulheres, que sempre receberam dele viva acolhida. As mulheres formavam parte do grupo que o seguia desde o princípio e a ele permaneceram fiéis, tendo uma presença bem significativa nos últimos dias de sua vida”.

A leitura do livro do teólogo José Antonio Pagola eu já iniciei. E estou muito mais cristão com a sua leitura.

PS. Tenho a impressão que o ti-ti-ti inquisitorial dos conservadores sobre o livro do José Antônio Pagola foi estratégia velhaca oriunda dos corredores vaticanos para não ensombrear o lançamento, nos próximos meses, do segundo volume de Jesus de Nazaré, de Joseph Ratzinger, atual papa, cujo primeiro volume, edição brasileira Planeta 2007, mostra erudição, ainda que desprovido de análise cativadora.

(Portal da Globo Nordeste, 07.04.2010, Blog BATE & REBATE)
Fernando Antônio Gonçalves
 

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