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ARGUMENTO, NOTA 10!
 No escritório de Paulo Henrique Maciel, amigo de longa data e advogado ultra competente e de caráter ouro de lei, deparei-me com uma publicação que ampliou meu orgulho nordestino: uma revista chamada Argumento, do Tribunal Regional Federal da 5ª. Região – TRF5, já em seu terceiro número, janeiro/fevereiro 2013. E que desde o primeiro número está sob a batuta editorial da jornalista Isabelle Câmara, um talento profissional que muito admiro e aplaudo. As três edições da revista se encontravam na sala de espera. Um pedido meu de empréstimo para lê-las com vagar foi devidamente acolhido pelo PHM.

Nos três números editados, assuntos bastante oportunos são expostos, elucidativos por derradeiro, favorecendo a ampliação da Cidadania Regional. No primeiro número, a reportagem Toda Cor Será Celebrada, de Wolney Mororó e Suzan Vitorino, deveria se fazer presente nas unidades escolares da Região. A realidade exposta certamente emulará inúmeras iniciativas. Embora julgado constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, o Sistema de Cotas ainda desperta muitas resistências, a exigir múltiplos esclarecimentos e debates. E a reportagem traz as opiniões divergentes de dois PhDs consagrados da Universidade Federal de Pernambuco, professores Michel Zaidan e Walteir Silva. Sempre ressaltando a cara e a coroa do problema.

O primeiro número ainda traz uma reportagem tira-gosto sobre um colegiado diferenciado, que não tem burocracia, nem apartes, tampouco recursos, togas e protocolos, muita gente ainda desconhecendo a sua existência. De nome Amado – Associação dos Maridos Dominados, todas as quartas-feiras, num restaurante famoso da cidade - aqui não citado para não atrair intrometidos, curiosos e demonstrações puxasaquísticas -, num cenário de simbolismos e sabores, os desembargadores do TRF5 se reúnem para jogar conversa fora, dissipar tensões, consolidar amizades e ampliar a “enxergância” sobre os problemas principais que chegam à Corte. Segundo a revista, “hoje, o colegiado conta com mais de vinte associados, inclusive a desembargadora Margarida Cantarelli, única mulher do grupo e muito admirada pelos integrantes da Amado.” Segundo Paulo Gadelha, “a presença da Dra. Margarida permitiu que a gente viesse com mais tranquilidade. Toda mulher é ciumenta, mas têm as campeãs de ciúme. As ‘campeoníssimas’ atribuíram a Margarida o dever de zelar pela nossa fidelidade”. E é a própria Dra. Margarida Cantarelli, uma admiração minha de longa data, que define a Amados como uma congregação “que alivia a tensão da nossa atividade, pois fazemos coisas simples, como rir, conversar sobre livros, contar e ouvir piadas. Coisas que fazem a vida valer a pena”. 

No segundo número da revista, um texto da jornalista Isabelle Câmara chama atenção. Segundo ela, desde 5 de outubro de 1988, quando a Constituição Federal foi promulgada, o País tinha se comprometido, no art. 67 e a partir daquele dia, a demarcar as terras indígenas no prazo de cinco anos. Atualmente, passados mais de 25 anos, o quadro é de poucos avanços e muitos conflitos no Amazonas, no Pará, em Roraima, na Bahia, em Pernambuco e no Mato Grosso do Sul. Segundo a FUNAI – Fundação Nacional do Índio, a reportagem revela, “aproximadamente 812 mil indígenas (sendo que destes, 300 mil vivem nos centros urbanos), distribuídos em 225 etnias, ocupam o equivalente a 109.767.668 hectares, ou seja, 13% do território nacional”.

No terceiro número de Argumento, uma reportagem que está a merecer ampla atenção da Sociedade Brasileira: o tráfico de pessoas. A história contada pela Christiane Matos, autora do texto Tráfico de Pessoas: Quando Seres Humanos se Tornam Coisas, merece ser aqui sintetizada: Ana Santos era uma adolescente que sonhava ser advogada. Mas aos 14 anos a sua vida mudou. Com a morte do pai, abandonou a escola e ingressou no mundo da prostituição. Recebendo uma proposta para trabalhar como garçonete na Europa, não titubeou. Lá, tomaram seu passaporte, foi vendida para a a Holanda, depois Alemanha e Bélgica, sendo presa e torturada. Após arracarem os bicos dos seus seios, Ana aprofundou-se no crack, conseguindo retornar ao Brasil com a ajuda da Ana Vasconcelos, da Casa de Passagem, mulher de muita fibra e coragem, hoje na eternidade. Em Pernambuco, desde 2008, existe uma Política Estadual de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, e em 2011 foram instituídos o Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (NETP/PE) e o Comitê Estadual de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (CETP/PE), também encarregado de realizar palestras e debates nos estabelecimentos escolares. Para que se tenha uma ideia, os dados são da OIT – Organização Internacional do Trabalho: o lucro anual obtido com o tráfico de pessoas atinge mais de trinta e um bilhões de dólares, a América Latina respondendo por 1,3 bilhões de dólares.

Os três números lidos da revista Argumento me deixaram mais cidadanizado. A direção editorial da Isabelle Câmara merece elogios e continuados apoios. E o portal do TRF5 -www.trf5.jus.br - pode ser acessado por qualquer um, sem qualquer dificuldade nem pagamento, inclusive para leitura integral da revista. Um portal que amplia “o saber jurídico, divulga o fazer literário e dialoga com uma infinidade de outros saberes”, segundo Carlos Laerte, poeta, jornalista e publicitário do Sertão do São Francisco, Petrolina – PE. 

Viva a santa inquietude da jornalista Isabelle Câmara, filha da querida Olga, duas mulheres muito arretadas!!!! 

(Publicada em 25.02.2013, no Jornal da Besta Fubana, Recife, Pernambuco)
Fernando Antônio Gonçalves
 
 

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