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APRIMORAMENTO DE APUPOS
Uma boa recomendação em época de grandiosas indignações contra as degenerações que se acumulam na área política brasileira, em ano eleitoral e também de Copa do Mundo, tudo resultando em muitas bolas: um insulto pouco conhecido torna-se duplamente contundente. Além de qualificar negativamente o xingado, demonstra implicitamente a ignorância dele, diante do  desconhecimento do impropério proferido.
 
Hoje, quando a liberdade de expressão enseja comentários diferenciados, classifica-se os insultos em várias categorias: construtivos, degenerativos, esculhambativos, demolidores e letais. Entretanto, para que um xingamento seja eficaz, urge um aprimoramento sobre os seus significados,  favorecendo a ampliação da detonação proporcionada.
 
Em muito boa hora, um dicionário específico foi lançado recentemente pelo Ateliê Editoral, uma empresa paulista de bom calibre. O Dicionário Brasileiro de Insultos, de Altair J. Aranha, proporciona excelente nível de aperfeiçoamento em todos aqueles que desejam ampliar seus “apedrejamentos críticos” nos fatos e atos que mereçam atenção da Cidadania Brasileira.
 
O primeiro vocábulo do Dicionário é ababelado, “aquele que se mete em grandes empreendimentos sem conseguir levá-lo adiante porque atua de maneira confusa, desordenada”. Quando da leitura dessa primeira palavra, lembrei-me de um monte de gente, de passados remotos e recentes, que se imaginavam tampas-de-foguete empreendedoras, mas que até a defenestração demissionária proporcionaram desastres irreversíveis ou de grandes proporções ao erário brasileiro e às .
 
A última palavra do Dicionário é zuruó, vocábulo de mesma significação que zureta, aquele que é meio maluco, adoidado. Não sei porque cargas d’água, lembrei-me de alguns ministros atuais, inclusive a Martha Suplicy, a Ideli Salvatti e o Edson Lobão, que parecem entrar e sair dos despachos presidenciais sem saber para onde direcionar as orientações e determinações recebidas, mesmo após rabiscadas anotações de má ortografia.
 
Os vocábulos do Dicionário oferecem identificações imediatas. Por exemplo, o vocábulo apelintrado, aquele que tem ares de pelintra, de espertalhão, não lembra um monte de espertalhões atualmente trancafiados na Papuda? E tararaca, significando desnorteado, não faz lembrar o senador Eduardo Suplicy, de cartão vermelho levantado, imaginando-se juiz de final de Copa do Mundo? E onzenário, aquele que usufrui de ganhos ilícitos e escandalosos, não faz reavivar a figura daquele ex-prefeito de São Paulo, que nunca se imagina proprietário de contas bancárias no exterior, muito embora sejam mais que evidentes as comprovações acumuladas pelo Ministério Público? Inclusive pelo FBI e outras entidades caça-bandidos?
 
Com o Dicionário nas mãos, telefonei para o Edinho, um primo danado de inteligente, que conhece Deus e o mundo e mais alguns. E perguntei a ele se sabia o significado da palavra bunda, termo que arrepiava alguns mais sensíveis, que ficavam de olhinhos revirados para o alto, como se estivesse contemplando o próprio satanás de botas, chifres e rabo. O Edinho então soube explicar de maneira a mais convincente possível. Segundo ele, quando usado no masculino, serve para designar uma  pessoa desqualificada, sem importância, ordinária. E que ainda havia os termos bunda-mole (homem destituído de coragem, fracote, moleirão), bunda-suja (homem que se borra de medo, de caráter fraco, ordinário) e bundão (que foge das responsabilidades, covarde). Observou ainda, o Edinho, que, psicanaliticamente, se associa bunda a covardia, sendo um insulto exclusivamente utilizado para homens, nunca para mulheres. Assim, bundona é uma bunda grande de mulher e bundão é um homem pau-mandado, frouxo, sem qualquer capacidade empreendedora.
 
Admirei-me da capacidade cultural do Edinho. Parabenizando-o, soube que ele tinha adquirido um exemplar do Dicionário Brasileiro de Insultos, do Altair Aranha. Que me foi emprestado, proporcionando-me a oportunidade de escrever esta crônica. Para melhor identificar os miquelinos do Brasil, aqueles  que no modo de se apresentar quer ser mais do que é, caindo no ridículo perante todo seu derredor. Além dos frangos-de-botica, aquele tipo jovem, desengonçado, cheio de espinhas e com pretensões de conquistador, tal e qual aquele ator que faz propaganda de celular, botando a mão no joelho de uma jovem, desejando ser o peixinho dela.
 
Por favor, não gozem muito dos pernambucanos tabacudos – ignorantes, broncos – que se imaginam facinorosos, praticando atos inqualificáveis, que agridem a imagem acolhedora da gente pernambucana. São frenopatas que deveriam estar internados, classificados como esbulhadores do patrimônio público. Uns bostíferos borra-botas, incivilizado, deslustrador de eventos esportivos, por  total incapacidade psíquica de ser portador de uma cidadania mínima.
 
(Publicada em 02.06.2014, no Jornal da Besta Fubana, Recife, Pernambuco)
Fernando Antônio Gonçalves
 

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