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A MENSAGEM REVIVIDA
 
Durante a Semana Santa última, aproveitei os feriados para principiar a ler uma das mais cativantes histórias de Jesus, tudo fundamentado em pesquisas e estudos teológicos, onde se analisa a mensagem do Homão da Galileia que muito amo e as distorções nela introduzidas ao longo dos tempos, edificadas por interesses vários, para atender interesses de grupos que objetivavam apenas dominar regiões e povos. Um texto que me proporcionou uma maior aproximação com as diretrizes emanadas por aquele que foi enviado para semear Justiça e Paz entre todos os seres humanos, sem distensão de espécie alguma, acima, muito acima mesmo, das denominações que foram estabelecidas.
 
 
O livro intitula-se Cristianismo: a mensagem esquecida, 4ª. edição da Casa Editora O Clarim, 2016, 416 p., de autoria de Hermínio C. Miranda (1920-2013), um dos principais pesquisadores e escritores espíritas brasileiros, autor de mais de 40 livros, entre os quais A Memória e o Tempo, editado pelo Instituto Lachastre, 2013 (8ª. edição), 328 p., um estudo minucioso da memória integral do indivíduo, utilizando-se a técnica da regressão de memória pelo magnetismo como instrumento de exploração dos arquivos da mente.
 
 
Os estudos e análises descritos no livro se iniciaram logo depois da Primeira Guerra Mundial, quando um grupo de teólogos e pensadores cristãos resolver esmiuçar a crise vivenciada pela sociedade de então, publicando o livro Christianity and the crisis, lançado na Inglaterra em 1933, por ocasião dos primeiros passos cometidos por um assassino chamado Adolf Hitler, alçado ao poder democraticamente na Alemanha.

 
No livro, lançado em 1933, duas questões básicas estavam potencialmente explicitadas nos diversos ensaios apresentados. A primeira: “Teria falhado o cristianismo na tarefa de ordenar uma sociedade, senão ideal, pelo menos razoavelmente equilibrada e feliz?” A segunda: “Teria ainda o cristianismo condições de realizar essa tarefa?” E quais seriam as razões basilares para tamanha falha? E como se poderia oferecer uma contribuição que favorecesse uma melhora significativa da situação mundial?

 
E uma questão sobrepairava sobre todo o estudo grupal: Será que as denominações cristãs então existentes não teriam trabalhado com um modelo de cristianismo muito distanciado dos ensinamentos difundidos pelo Nazareno, com uma doutrina adulterada que afastava milhões de seguidores dos seus compromissos para com os seus derredores, todos irmãos, independentemente de credos, raças, ideologias, modelos econômicos, etnias e gênero? Dentre as hipóteses possíveis, uma certeza se agigantava: o cristianismo de então não possuía respostas convincentes para as mazelas que se agigantavam na civilização da época, às vésperas do assassinato de milhões de judeus em nome de uma estúpida teoria da raça pura.
 

Passados mais de meio século, depois do final da Segunda Guerra Mundial, a crise humanitária mundial se ampliou, muita tragédia se agigantou num mundo que se angustiava cada vez mais “em cima de um depósito descomunal de armas nucleares capazes de desintegrá-lo numa imperceptível fração do tempo que levou a sua formação.”
 

Daí a cativação proporcionada pela leitura do livro Cristianismo: a mensagem esquecida, do professor Hermínio C. Miranda, onde ele esmiúça a mensagem do Senhor Jesus, comprovando a desconcertante simplicidade e nitidez dos seus ensinamentos, sem as pedanterias teológicas e hierárquicas patrocinadas por presunçosos distanciados dos mansos e humildes, estes sempre aptos na apreensão da visão transcendental da Luz, através de portentosas manifestações intuitivas, enaltecendo o amor no interior de cada um, seguidores que são da observação do Mestre Jesus, a de que “os homens desejam a paz, mas não buscam as coisas que trazem a paz”.
 
Como um incipiente estudioso da Doutrina Espírita, em contínuo processo evolucionário, de formação inicial católico-romana, helderista de carteirinha e hoje transecumênico por derradeiro, crente nos procedimentos reencarnatórios e colaborador num Centro Espírita da capital pernambucana, tenho me dedicado nos últimos anos a um continuado programa de estudos sistemáticos kardecistas, tornando-se um admirador inicial dos livro da Codificação Espírita - O Livro dos Espíritas (1857), O Livro dos Médiuns (1861), O Evangelho segundo o Espiritismo (1864), O Céu e o Inferno (1865) e A Gênese (1868) -, considerando o primeiro deles de imenso valor para todos os crentes, independentemente de religião, porque trata de Deus, da imortalidade da alma, da natureza dos Espíritos, de suas relações com os homens, das leis morais, da vida presente, da vida futura e do porvir da humanidade, assuntos de interesse geral e de portentosa atualidade.
 
  
Dias passados, um outro livro adquirido recentemente pela internet, me proporcionou momentos de complementar emoção. Trata-se de Mediunidade dos Santos, Clovis Tavares (1915-1984), Brasília, FEB, 2015, 223 p. Onde o autor explicita logo na sua página primeira: “Desde o princípio, o Cristianismo é uma religião de visões e de revelações – e isso o homem moderno, o moderno cristão deve reconhecer. O Novo Testamento não deixa dúvidas a esse respeito.” Onde uma postura de fé sem padres, pastores, altares e imagens se baseava nos sentimentos do coração, no seguimento dos ensinamentos do Nazareno, no confronto da consciência com o Pai Celeste.
 
 
(Publicado em 17.07.2017 no site do Jornal da Besta Fubana (www.luizberto.com) e em nosso site www.fernandogoncalves.pro.br.)
 

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